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Abuso sexual aumentou 38% nas Forças Armadas dos EUA em dois anos

Mulheres entre 17 e 24 anos foram as maiores vítimas; secretário de Defesa pede a autoridades militares ajuda para "criminalizar" práticas inapropriadas

As Forças Armadas dos Estados Unidos relataram nesta quinta-feira, 2, aumento substancial nos casos de abuso sexual dentro de suas tropas. Os dados indicam 20.500 ocorrências em 2018, contra 14.900 na última edição do levantamento, em 2016, representando um aumento de 38% dos relatos de “contato sexual não consentido” nestes dois anos.

O secretário de Defesa americano, Patrick Shanahan, pediu às autoridades que ajudem a “criminalizar” o assédio no ambiente militar. Segundo o estudo, o consumo de álcool estava envolvido em um terço dos casos de assédio, e mulheres entre 17 e 24 anos foram as maiores vítimas.

O relatório divulgado nesta quinta-feira inclui informações do Exército, da Força Aérea, da Marinha e dos Fuzileiros Navais e contabilizou depoimentos e pesquisas anônimas feitas com mais de 100.000 soldados. Segundo os responsáveis, a sondagem é 95% precisa.

Apenas um de cada três casos foi informado para a polícia. Em 2006, apenas um de cada 14 abusos foi reportado para as autoridades responsáveis. Os dados do último ano ainda indicaram que mais de 85% das vítimas conheciam seu assediador e que, na maioria dos casos envolvendo mulheres, o agressor era um de seus superiores na hierarquia militar.

A congressista democrata Jackie Speier, líder do Comitê de Serviços Armados da Câmara dos Deputados, disse ao jornal USA Today que os militares “devem aceitar que suas políticas atuais não estão mais funcionando.”

“O Congresso deve forçar o departamento (de Defesa) a abordar o assunto de uma maneira mais agressiva, lutando contra este tormento”, defendeu Speier, pedindo uma intervenção dos legisladores americanos.

Pouco depois da divulgação do relatório, Shanahan afirmou estar ouvindo e acatando recomendações da Força Tarefa de Investigação e Responsabilização por Assédio Sexual, criada no mês passado depois de reivindicações da senadora Martha McSally.

McSally foi a primeira mulher da Força Aérea a pilotar aviões em uma guerra e revelou ter sido estuprada por um superior durante seu tempo em serviço.

O secretário de Defesa afirmou estar adotando novas formas de “eliminar” os assédios, incluindo mais esforços para identificar os abusadores e para apoiar as vítimas. “Nós devemos e iremos melhorar”, concluiu.