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Absolvição de ex-vigia que matou jovem causa indignação nos EUA

Centenas protestaram contra decisão de júri e Obama pediu 'reflexão tranquila'

A absolvição por um júri na Flórida de George Zimmerman, acusado de matar a tiros o adolescente negro Trayvon Martin, provocou indignação entre representantes da luta pelos direitos civis e reacendeu o debate sobre discriminação racial, porte de armas, leis de defesa pessoal e igualdade. Centenas de manifestantes protestaram contra a decisão em várias partes do país e em Oakland, Califórnia, uma manifestação terminou em vandalismo, com lojas saqueadas e viaturas policiais depredadas.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu neste domingo a todos os americanos que façam “uma reflexão tranquila” sobre o caso. Em comunicado emitido neste domingo pela Casa Branca, Obama, que no ano passado chegou a dizer que, se tivesse um filho, ele se pareceria com Martin, pediu respeito aos pais do jovem. “A morte de Trayvon Martin foi uma tragédia. Não só para sua família, mas também para os Estados Unidos”, afirmou o presidente.

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“Sei que esse caso provocou fortes emoções. E, por causa da sentença, sei que essas paixões podem se insuflar. Mas somos uma nação de leis e um júri tomou uma decisão. Agora, rogo a todos os americanos que respeitem o pedido de reflexão tranquila de dois pais que perderam seu filho”, disse Obama. “Devemos nos perguntar se estamos fazendo o possível para deter a onda de violência armada que acaba com muitas vidas em todo o país todos os dias. Devemos nos perguntar, como indivíduos e como sociedade, como prevenir tragédias como essa. Como cidadãos, isso é um trabalho para todos. Essa é a maneira de se homenagear Trayvon Martin”, concluiu.

“Continuo estupefato com a decisão”, disse à emissora CNN, neste domingo, o líder dos direitos civis Jesse Jackson. “O Departamento de Justiça dos EUA precisa intervir para levar isso para outro nível”, completou. O presidente da Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor, Benjamin Jealous, afirmou, também neste domingo, que havia falado com autoridades judiciais sobre fazer acusações federais contra Zimmerman. “Quando você olha para os comentários feitos por jovens negros que viviam naquele bairro, sobre como se sentiam especialmente observados por Zimmerman, há motivos para pensar que a cor da pele foi o motivo pelo qual ele atirou no jovem Trayvon”, disse Jealous à CNN.

Veredicto — As seis mulheres do júri, que deliberaram durante 16 horas ao longo de dois dias, decidiram na noite de sábado que Zimmerman não é culpado da acusação de assassinato, um caso que polarizou os americanos. O tribunal liberou Zimmerman de portar um aparelho de monitoramento eletrônico que ele vinha usando durante a sua liberdade condicional.

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Os advogados de defesa argumentaram que Martin, de 17 anos, atacou Zimmerman na noite de 26 de fevereiro de 2012, em um condomínio fechado em Sanford, na Flórida. Os promotores tinham que provar que Zimmerman cometeu um crime ao perseguir Martin e que ele não agiu em legítima defesa. Zimmerman, que tinha recebido ameaças de morte, agora deve enfrentar um novo processo na esfera civil, aberto pela família de Martin.

(Com agências EFE e Reuters)