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Abdullah II da Jordânia manifesta apoio a Abbas em visita a Ramala

Nuha Musleh.

Ramala, 21 nov (EFE).- O rei Abdullah II da Jordânia realizou nesta segunda-feira uma visita-relâmpago a Ramala, a primeira à Autoridade Nacional Palestina (ANP) desde 2000, na qual expressou seu apoio ao presidente palestino, Mahmoud Abbas, às vésperas de sua reconciliação com o Hamas.

O helicóptero do monarca aterrissou ao meio-dia em Muqata, a sede presidencial de Ramala, onde foi recebido por dirigentes da ANP e uma guarda de honra.

Posteriormente, Abdullah II se reuniu com Abbas e disse que apoiará os esforços para a reconciliação entre os dois principais movimentos palestinos: o islamita Hamas, que governa em Gaza, e Fatah, que controla o Executivo da ANP em Ramala, declarou o chefe negociador palestino, Saeb Erekat, à rede de televisão ‘Al Jazeera’.

Os líderes das duas facções, Abbas e Khaled Meshaal (chefe do escritório político do Hamas, cuja sede se encontra em Damasco) devem se reunir esta semana no Cairo para fechar definitivamente os temas da reconciliação, assinada em maio.

O pacto ficou pendente de aplicação por divergências sobre quem liderará o Governo de unidade e à espera do pedido que Abbas apresentou em setembro na Organização das Nações Unidas para que a Palestina seja admitida como Estado membro de pleno direito.

‘O rei Abdullah viajará para a Europa e a América e nós embarcaremos em uma viagem por países árabes relacionada com a reconciliação e outros assuntos’, declarou Abbas aos veículos de imprensa.

Inicialmente, Washington e várias capitais europeias devem rejeitar um Executivo de unidade palestino com a inclusão do Hamas, considerada organização terrorista pelos Estados Unidos e União Europeia.

Em encontro realizado em Ramala no domingo, o subsecretário de Estado americano, Williams Burns, advertiu o presidente palestino de que Washington só aceitará o Governo de unidade se o Hamas cumprir com as três condições básicas do Quarteto para o Oriente Médio, integrado pelos EUA, a UE, a ONU e Rússia.

Estas condições são a renúncia da violência como instrumento político, o reconhecimento de Israel e a aceitação dos acordos de paz assinados até agora, cláusulas que o Hamas rejeita e que lhe valeram o isolamento e boicote internacional após ganhar as eleições legislativas de 2006 nos territórios palestinos.

Um dos homens fortes do Hamas, Mahmoud Zahar, declarou nesta segunda-feira à rádio oficial palestina que seu movimento ‘não reconhecerá os requerimentos do Quarteto’.

Neste contexto Abdullah II realizou uma visita classificada de ‘histórica’ por seu ministro de Relações Exteriores, Nasser Yoda, durante entrevista coletiva que realizou com seu colega palestino, Riad Al Maliki.

‘A Jordânia dá pleno apoio à liderança palestina e considera (o estabelecimento de) um Estado palestino como máxima prioridade’, disse Yoda.

O correspondente do jornal israelense ‘Haaretz’ para assuntos palestinos, Avi Isajarov, destaca que o monarca está preocupado que Abbas possa cair e os islamitas fiquem com o controle da Cisjordânia, que faz fronteira com seu reino.

Abdullah II ofereceu ao presidente palestino apoio a toda iniciativa de negociações com Israel baseadas no plano de paz apresentado em 2003 pelo Quarteto e as condições palestinas, em alusão ao pedido de que Israel acabe com a expansão das colônias judias em território palestino.

Além disso, Yoda afirmou que ‘não foi estabelecida uma data’ para uma possível visita à Jordânia de Khaled Meshaal, que seria a primeira desde sua expulsão do país em 1999 junto com outros dirigentes do movimento islamita.

Com o diálogo de paz com Israel estagnado há mais de um ano, os palestinos centram agora seus esforços na unidade interna. O novo Executivo estará formado por tecnocratas e políticos independentes e terá sede em Gaza, já que a Presidência está em Ramala, segundo revelou o dirigente do Hamas Ahmed Youssef.

O próximo primeiro-ministro em substituição a Salam Fayyad, que foi designado por Abbas em 2007, virá do grupo islamita, mas será estipulado por ambos, segundo Youssef.

Abdullah II, que em 2007 cancelou uma visita prevista ao território palestino, não viajou à vizinha Jerusalém, a apenas 20 quilômetros de Ramala, para encontrar com representantes do Governo israelense liderado por Benjamin Netanyahu, a quem o monarca acusou em repetidas ocasiões de desinteresse para alcançar a paz. EFE