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Abbas pede ajuda a Putin para desbloquear processo de paz

O líder palestino Mahmoud Abbas pediu nesta terça-feira ao presidente russo Vladimir Putin, em visita a Cisjordânia, ajuda para desbloquear o processo de paz com Israel, paralisado há quase dois anos.

“Nós asseguramos ao presidente (russo) que o caminho para a paz passa por negociações com Israel e continuamos a enfatizar a necessidade de Putin de organizar uma conferência internacional de paz em Moscou”, declarou Abbas durante uma declaração conjunta em Belém, Cisjordânia.

Por sua vez, o líder do Kremlin elogiou a “posição responsável” do presidente da Autoridade Palestina no processo de paz e advertiu contra “toda ação unilateral antes de um acordo de paz final”, aparentemente uma referência aos assentamentos israelenses.

“É necessário exercer a máxima moderação e cumprir escrupulosamente as suas obrigações”, acrescentou Putin.

Para retomar as negociações, congeladas desde setembro de 2010, Abbas apela para o fim da colonização israelense e o reconhecimento das fronteiras de junho de 1967 como referência para as discussões.

O presidente palestino também manifestou a disponibilidade de encontrar o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para um “diálogo sem negociação”, caso aconteça a libertação dos palestinos detidos por Israel antes dos acordos de paz de Oslo de 1993-94.

“Pedimos aos nossos amigos (russos) para nos ajudar a garantir a libertação dos nossos prisioneiros que foram detidos antes de 1994 e que Israel concordou em libertar, até agora sem efeito”, declarou Abbas, em referência aos 123 detentos.

Já os israelenses pedem por uma retomada imediata das negociações de paz “sem condições prévias”.

No segundo dia de sua viagem ao Oriente Médio, Putin encontrou Abbas simbolicamente em Belém. É o primeiro chefe de Estado russo a almoçar em Belém desde Boris Yeltsin em 2000. Acompanhado por uma delegação de 300 pessoas, seguiu para a Jordânia para uma reunião com o rei Abdullah II.

Segunda-feira, ele se encontrou com os principais líderes israelenses em Jerusalém, entre eles Netanyahu e o presidente Shimon Peres.

Antes de deixar Jerusalém, Putin visitou o Santo Sepulcro, local do túmulo de Cristo, e o Muro das Lamentações, local sagrado do judaísmo.

O presidente russo faz sua primeira visita ao Oriente Médio desde seu retorno ao Kremlin, em maio, para defender a posição de Moscou sobre as crises na região, em particular a síria.

Ele defendeu na segunda-feira uma transição “civilizada” para a democracia em países afetados pela Primavera Árabe, advertindo contra a interferência estrangeira na Síria.

Moscou está em conflito com o Ocidente sobre a crise síria por causa da oposição do Kremlin a sanções contra Damasco, um aliado desde a era soviética, e a qualquer interferência de outros neste país, onde a violência já provocou mais de 15.000 mortes em 15 meses de revolta contra o regime, de acordo com uma ONG síria.