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Abbas ameaça pôr fim a todos os acordos com Israel após demolições

Edifícios em área controlada por palestinos foram destruídos por ordem da Justiça israelense; governo de Benjamin Netanyahu não comentou declarações

O presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, ameaçou encerrar todos os acordos com Israel, incluindo os de segurança, depois da demolição nesta semana de imóveis palestinos em uma zona sob jurisdição da Autoridade Nacional Palestina (ANP), segundo informou nesta sexta-feira, 26, a agência de notícias Wafa.

“Não sucumbiremos aos ditames e à imposição de um fato consumado em terreno com força bruta, especificamente em Jerusalém”, afirmou Abbas durante uma reunião de emergência realizada na noite de quinta-feira 25.

“Tudo o que o Estado de ocupação (israelense) está fazendo é ilegal e nulo”, acrescentou diante das autoridades palestinas na cidade de Ramala.

Os acordos assinados nos últimos 25 anos entre palestinos e israelenses cobrem muitos pontos, incluindo cooperação para a segurança. O governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ainda não comentou as declarações.

Esta não é a primeira vez que a liderança palestina aprova o fim dos acordos com Israel. A última foi em outubro de 2018, quando o Conselho Central da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) anunciou o fim da cooperação de segurança e suas relações econômicas com o governo israelense, medidas que até agora não foram aplicadas.

Naquela reunião, também se falou sobre a “contínua negação de Israel de cumprir os acordos assinados e as obrigações subsequentes”, em referência aos Acordos de Oslo (1993-1995).

Desta vez, a ameaça tem relação com as demolições de dez prédios palestinos por Israel nas chamadas zonas A e B da Cisjordânia, que estão sob controle total e parcial palestino, segundo os Acordos de Oslo.

A área onde foram realizadas as demolições, Wadi al-Hummus, pertence, além disso, ao bairro Sul Baher de Jerusalém Oriental, que não foi anexado por Israel, e cujas permissões de construção tinham sido autorizados pela Autoridade Nacional Palestina (ANP).

Abbas insistiu ontem à noite que está preparado para fechar um acordo de paz justo e durável com Israel, mas que isso não significa “aceitar o status quo ou se render às medidas (da ocupação)”.

“Não coexistiremos com a ocupação, não aceitaremos o acordo do século (elaborado pela Administração americana de Donald Trump). Palestina e Jerusalém não estão à venda”, declarou.

O movimento islamita palestino Hamas, que controla Gaza, avaliou o anúncio como “um passo na boa direção”.

“A decisão foi tomada em paralelo com os requerimentos do difícil momento que a causa palestina está passando e que corrige o errado caminho distorcia sempre a via política palestina”, declarou hoje em comunicado.

A Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) também avaliou como positivo o anúncio, mas acrescentou que “não é suficiente”.

(Com EFE)