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A resposta do Irã à cobrança de taxas de Trump no Estreito de Ormuz

Chanceler diz que Teerã cobraria um pedágio ‘mais barato’ pela passagem na rota

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO , Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 jul 2026, 17h36 | Atualizado em 14 jul 2026, 13h25
A resposta do Irã à cobrança de taxas de Trump no Estreito de Ormuz Priorizar nos meus resultados Google

O governo do Irã reagiu, nesta segunda-feira, 13, ao anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que irá cobrar uma taxa de 20% sobre cargas transportadas por navios que cruzarem o Estreito de Ormuz sob proteção americana. Em meio à escalada da guerra entre os dois países, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã poderia oferecer um pedágio “mais barato” do que o proposto por Washington.

“Quem quer que garanta a passagem segura dos navios comerciais pelo Estreito de Ormuz deveria receber uma compensação por esse serviço. O Irã sempre foi o guardião do estreito e continuará sendo para sempre. Obviamente, 20% é demais. Seremos justos”, escreveu Araghchi nas redes sociais.

A troca de provocações ocorreu poucas horas depois de o governo americano anunciar que retomará, nesta terça-feira, 14, o bloqueio ao tráfego marítimo ligado ao Irã. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), a medida impedirá a entrada e a saída de embarcações iranianas ou de clientes do país de seus portos, enquanto o restante da navegação continuará autorizado a utilizar o Estreito de Ormuz. 

Em publicação nas redes sociais, Trump anunciou que o Estreito de Ormuz “estará aberto e permanecerá aberto, com ou sem Irã” e, “por uma questão de justiça”, os EUA receberão “20% de toda a carga transportada, por todos os custos necessários para garantir a segurança desta região tão instável do mundo”. Washington começou a bloquear o tráfego de navios de e para os portos do Irã em abril e encerrou a medida em junho, após um acordo provisório entre os países.

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Mais cedo, ele já havia prometido que os EUA assumiram controle da passagem, após autoridades iranianas confirmarem que voltaram a fechar a nevrálgica rota marítima em retaliação aos bombardeios americanos contra o país.

+ Irã atesta que fechou Ormuz; Trump rebate que EUA controlarão estreito e ‘serão pagos por isso’

Em entrevista à emissora americana Fox News, o ocupante do Salão oval disse que Washington atuará como “guardiã do estreito” e, apesar dele se opor veementemente à ideia de Teerã de passar a cobrar taxas das embarcações que transitam pela rota, afirmou que pretende cobrar um “pedágio” caso o plano se concretize.

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De acordo com o presidente dos Estados Unidos, lideranças do Irã participaram de negociações com enviados americanos, uma reunião de 11 horas onde “tudo havia sido acordado” — mas que, depois, segundo ele, começaram a exigir mudanças. Sobre a retomada de hostilidades, Trump garantiu que Teerã está levando uma “surra” na guerra.

Em resposta, o principal comando militar conjunto do Irã, o Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, afirmou que o país não permitirá que Washington interfira na gestão do Estreito de Ormuz. Em vídeo, um porta- voz afirmou que qualquer tentativa americana de organizar a passagem pelo estreito fora das rotas designadas por Teerã e sem coordenação com as forças armadas iranianas enfrentará forte resistência.

Fechamento de Ormuz

A retomada das hostilidades no fim de semana e o anúncio iraniano de um novo bloqueio na rota marítima, estratégica para o comércio mundial de combustíveis, provocaram um aumento de mais de 4% no preço do petróleo. Nesta segunda, as forças americanas no Oriente Médio disseram ter atingido “sistemas iranianos de defesa aérea militar, unidades de radar na costa, capacidades de mísseis e drones e barcos pequenos”, ações que pretendiam impedir a república islâmica de bloquear a passagem pelo estreito.

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No entanto, a autoridade iraniana responsável por Ormuz declarou publicamente o fechamento do estreito nesta segunda-feira, citando ações militares americanas como motivo.

“Devido a ações hostis recentes das forças dos estados Unidos, a passagem pelo Estreito de Ormuz é atualmente inviável. Assim que a estabilidade e a calma forem restauradas, todas as solicitações serão analisadas de acordo com o cronograma previsto, e o processo de permissão será retomado”, afirmou a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA) em comunicado.

“Lembramos que a única maneira de obter uma permissão de passagem é através do nosso site”, continuou o comunicado.

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Acordo em xeque

Enquanto isso, a Guarda Revolucionária Islâmica, o exército ideológico do Irã, anunciou em seguida que atacou a Base Aérea Príncipe Hassan, na Jordânia, um centro de comando de drones militares no Bahrein e duas bases aéreas no Kuwait, de acordo com IRNA. Os iranianos também reivindicaram ataques contra instalações americanas em Omã. No domingo, foram relatados ataques contra bases americanas no Catar.

O Exército do Kuwait confirmou nesta segunda-feira que precisou responder a “objetos aéreos hostis” lançados contra seu território.

A retomada de disparos parte a parte, que ocorreu na última segunda-feira e desde então escalou, mina o memorando de entendimento para acabar com a guerra, que abalou a economia global. Estados Unidos e Irã assinaram, em 17 de junho, um protocolo de acordo que previa 60 dias de trégua para negociar o fim permanente da guerra no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro por um ataque conjunto israelo-americano contra o território iraniano.

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