A resposta da China após Trump declarar ‘guerra econômica’ ao Irã
Presidente dos EUA quer isolar totalmente a nação persa — e Pequim é a maior compradora de petróleo dos iranianos
Pequim afirmou nesta sexta-feira, 21, que “sanções e pressões” não são a solução para encerrar o conflito no Oriente Médio, um dia após o governo dos Estados Unidos exigir que seus aliados e a China se unam para isolar o Irã do resto do mundo em meio à “guerra econômica” declarada pelo presidente Donald Trump.
“As sanções e as pressões não permitirão resolver o problema”, disse em uma entrevista coletiva o porta-voz da diplomacia chinesa, Lin Jian. “A China incentiva todas as partes envolvidas a adotar medidas responsáveis e a resolver o problema por vias políticas e diplomáticas”, acrescentou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.
A China é um importante parceiro econômico da república islâmica. Antes da guerra iniciada por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, a potência asiática comprava quase 90% das exportações de petróleo iraniano, segundo a empresa de análise Kpler.
‘Desaparecimento econômico’
Na quinta-feira, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou, ao comentar a estratégia contra o Irã, que os aliados dos Estados Unidos estão “conosco ou contra nós”.
“Qualquer vínculo remanescente com Teerã apressará o desaparecimento econômico de uma nação, seja este vínculo estabelecido deliberadamente ou conscientemente ignorado”, afirmou Bessent na rede social X.
Trump e Bessent não detalharam as medidas que planejam contra o Irã. O secretário do Tesouro disse que explicará o cenário em uma entrevista coletiva na próxima segunda-feira. Já o presidente dos Estados Unidos disse apenas, em uma publicação nas redes sociais, que, além de mais sanções contra a própria nação persa, “qualquer país que permita que suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou entidades governamentais forneçam qualquer tipo de ajuda ou linha de sobrevivência ao Irã enfrentará enormes consequências econômicas.”
“Contrabando de petróleo, linhas de swap, transferências de dinheiro, casas de câmbio, registros de navios, empresas de fachada — tudo isso precisa parar AGORA. Vocês sabem quem são”, escreveu Trump.
O que disse o Irã
Depois disso, o Irã acusou os Estados Unidos de “terrorismo econômico” e de “crimes contra a humanidade”, mas também aproveitou para caçoar de Trump.
O chanceler Abbas Araqchi afirmou que a medida seria apenas uma cortina de fumaça para os próprios problemas econômicos americanos e trará “mais derrota” para Washington. O vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, acrescentou: “Cada vez que eles tentam encobrir um erro de cálculo, os americanos acabam criando um fracasso ainda maior para si mesmos.”
Nesta sexta-feira, enquanto isso, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou ser hora de encerrar a guerra no Oriente Médio pois Teerã está em uma “posição de força” em relação a Washington.
“É melhor encerrarmos a guerra agora, enquanto estamos em uma posição de poder e dignidade, e quando o mundo inteiro reconhece a nossa vitória e ressalta que a América atacou nossas escolas, hospitais e infraestrutura — violando todas as normas — e é odiada em todo o mundo”, disse ele em uma reunião com médicos.







