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A nova moda entre corruptos romenos: escrever livros para reduzir a pena

Há suspeitas de que o empresário e outros corruptos escritores apenas assinem as capas dos livros, que seriam todos escritos por ‘ghost writers’ – profissionais contratados

Escrever livros virou moda entre políticos e empresários que cumprem pena por corrupção na Romênia. A lei penitenciária do país prevê diminuição de 30 dias de pena por cada obra publicada. “Alianças matrimoniais na política dos príncipes romenos de Valáquia e Moldávia” e “Franquias versus Gestão na Indústria Hoteleira” são alguns dos mais de cem títulos que a onda literária entre os corruptos e propiciou nos três últimos anos. Somados, todos os 90 livros escritos por presos representam uma redução de pena de 2.700 dias – haja assunto.

O escritor encarcerado mais ativo é, sem dúvida, o empresário George Copos, ex-proprietário do clube de futebol Rapid Bucareste, que cumpre uma pena de quatro anos por sonegação fiscal e evasão de divisas. Graças às suas obras sobre história romena e economia, todas de duvidosa qualidade, sua pena foi reduzida em cinco meses. Há ainda suspeitas de que o empresário e outros corruptos escritores apenas assinem as capas dos livros, que seriam todos escritos por ‘ghost writers’ – profissionais contratados.

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Todos os presos, independentemente da natureza de seu crime, podem na teoria se beneficiar desta vantagem penitenciária – a única lei deste tipo em toda a Europa, segundo a Justiça romena. Basta apresentar uma solicitação à administração penitenciária, que pode ou não conceder autorização. A única condição é que os livros, de conteúdo acadêmico ou científico, mas não literário, sejam publicados por uma editora reconhecida pelo Ministério da Educação. “Se você escreve um, dois ou três títulos, então sua pena se reduz em 30, 60 ou 90 dias”, explicou em declarações Ion Cazacu, advogado de defesa de George. Diante da recente avalanche de publicações surgiram disputas entre a Promotoria anticorrupção e os centros penitenciários que têm o poder de aprovar a redução das penas.

Ex-jogador do Barcelona – Outro dos beneficiados desta lei foi o ex-jogador do Barcelona e da seleção romena Gheorghe Popescu, que saiu recentemente da prisão. Um tribunal concedeu a ele liberdade condicional após passar um ano e oito meses na prisão por fraude fiscal e lavagem de dinheiro. O juiz avaliou que Popescu escreveu vários livros enquanto estava na prisão, um deles sobre o ensino do futebol nas escolas do país.

Entre as obras mais controversas escritas em uma prisão romena está uma de Sorin Ovidiu Vantu, um magnata dos meios de comunicação e fundador de um esquema financeiro fraudulento. Ele escreveu um livro sobre os vazios legais que lhe permitiram enriquecer após a queda do comunismo em 1990. Já o excêntrico proprietário do clube de futebol Steaua Bucareste, Gigi Becali, soltou a imaginação com um livro sobre a espiritualidade cristã ortodoxa.

Diante de trabalhos deste tipo, todos autorizados para reduzir as penas de seus autores, a Promotoria Anticorrupção criticou o fato de que, na hora de conceder a redução de penas, não se leve em conta a qualidade das obras. No entanto, os juízes romenos consideram que não é competência dos promotores “censurar” os trabalhos do ponto de vista científico. Assim, tudo indica que os presos famosos na Romênia vão continuar intensificando sua paixão pela escrita.

(Com agência EFE)