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A fúria de um general liberada como resultado da natureza

De todas as questões em torno do artigo da Rolling Stone que mostravam o general Stanley McChrystal surpreendentemente franco e crítico com a administração Obama, poucas são tão intrigantes como essa: por que um alto comandante permitiu ao jornalista acesso irrestrito ao seu círculo mais íntimo? A resposta, ao que parece, é um vulcão.

Michael Hastings, o jornalista freelancer que escreveu o artigo bomba sobre o desconforto de McChrystal com o esforço de guerra no Afeganistão esteve com o general e seu grupo em Paris, no mês de abril, quando a erupção do vulcão Eyjafjallajokull na Islândia forçou o fechamento do espaço aéreo da maior parte da Europa.

Como resultado, Hasting ficou em Paris com o general e sua equipe quando eles tentaram chegar a Berlim de ônibus. Hastings seguiu para Berlim, separado dos militares. Mais tarde, voltou ao círculo do general no hotel Ritz-Carlton onde todos esperaram uma semana para que as nuvens de cinzas sumissem e pudessem voar para o Afeganistão.

“Eu mesmo fiquei impressionado”, disse Hastings em uma entrevista telefônica em Kandahar, onde ele agora apura uma outra reportagem para o Men’s Journal. “Às vezes eu me perguntava: Por que eles me deram esse acesso?”

Embora Hastings afirme que a maioria dos comentários ácidos do artigo veio do general durante os primeiros dois dias em Paris, ele encontrou uma equipe mais acolhedora com o passar do tempo.

A princípio, Hastings não deveria viajar com McChrystal ao Afeganistão. Somente depois que chegou à Europa, notou que a equipe do general estava ansiosa para levá-lo junto. “Eles sugeriram a ideia”, disse o jornalista. Ele ficou com os militares durante um mês no Afeganistão, a maior parte do tempo fez entrevistas sem restrições com o general. “O que me surpreendeu é que não foram definidas regras para as conversas”, disse Hastings.

O editor executivo da Rolling Stone, Eric Bates, disse que também se surpreendeu com a disposição de McChrystal para expor suas queixas. “Acho que há uma enorme frustração por lá, como se eles sentissem que são pessoas sem importância. É o que aparece nesse grupo de citações. Eles sentem que as pessoas, que supostamente deveriam trabalhar junto com eles, não estão fazendo isso ou não entendem o que é a estratégia que traçaram.”

Questionado se McChrystal abaixou a guarda porque a Rolling Stone é uma publicação focada em cultura pop e música, Bates afirmou que não é a primeira vez que uma figura da política se abre com a revista. “Penso que as pessoas às vezes esquecem o quanto a reportagem está no DNA da Rolling Stone”, disse ele. “E há um pouco de glamour associado ao nome. Não sei se foi o caso aqui, mas em geral diria que as pessoas ficam excitadas em aparecer na revista.”

Embora frases do artigo começassem a aparecer na noite de segunda-feira, a matéria completa só foi publicada no site da revista às 11h da última terça-feira. O site Político e o site da revista Time postaram arquivos em PDF do texto antes da Rolling Stone publicar o artigo. A revista pediu que retirassem os arquivos da internet.