A crítica do governo Trump à decisão do Brasil sobre espião russo
Detido em Brasília desde 2022, Sergey Cherkasov adotava a identidade de Victor Muller Ferreira, um suposto estudante brasileiro nos EUA
O governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, reagiu mal à decisão do Brasil de permitir que Sergey Vladimirovich Cherkasov — apontado pelo FBI como espião russo — deixe o país e possa retornar à Rússia.
Em nota divulgada na quarta-feira 8, um porta-voz do Departamento de Estado americano afirmou que seu país está “profundamente preocupado” com a medida e que ela enfraquece o compromisso conjunto de combater interferências estrangeiras.
“Os Estados Unidos estão profundamente preocupados com a decisão do Brasil de permitir que um indivíduo com vínculos conhecidos com a inteligência russa deixe o país”, afirmou o comunicado. “Essa decisão enfraquece nosso compromisso conjunto de combater interferências estrangeiras e proteger a integridade de nossas instituições democráticas.”
O governo americano também exigiu que o Brasil considere o precedente criado pela decisão de expulsar o russo e trabalhe em conjunto com Washington para responsabilizar pessoas que “ameaçam nossa segurança coletiva”.
O caso
Sergey Cherkasov foi preso no Brasil em abril de 2022, após ter sido impedido de entrar com documentos falsos na Holanda. Ele adotava a identidade de Victor Muller Ferreira, um suposto estudante brasileiro de relações internacionais nos Estados Unidos, e cumpre pena de cinco anos na penitenciária federal de Brasília por falsidade ideológica.
Tanto o FBI quanto a Polícia Federal (PF) apontam o sujeito como um agente de inteligência russo, que usou identidade falsa brasileira por 12 anos para atuar no exterior, em especial Estados Unidos e Europa, embora não haja evidências de que atuou como espião contra o Brasil. Após o caso vir à tona, o jornal americano The New York Times revelou em investigação que o governo de Vladimir Putin usou o Brasil como uma “fábrica de espiões”.
Pouco após a detenção de Cherkasov, os Estados Unidos pediram sua extradição, para que ele fosse julgado e preso lá. Segundo Washington, ele faria parte de um grupo de elite da espionagem russa e usava a identidade brasileira para se infiltrar em instituições e obter informações estratégicas do governo americano. Antes de ser descoberto, o russo quase foi contratado para um estágio no Tribunal Penal Internacional (TPI) em Haia, onde poderia extrair informações sobre a investigação sobre crimes de guerra cometidos pelo Kremlin.
A decisão do governo brasileiro de expulsá-lo do país, abrindo caminho para seu envio à Rússia, foi publicada na segunda-feira 6 no Diário Oficial da União. A medida, porém, só poderá ser cumprida após o fim da pena à qual ele foi condenado no Brasil ou caso haja uma liberação antecipada pelo Poder Judiciário. Ainda não há previsão de quando a decisão será executada.







