A ‘cidade do pecado’ onde 5.000 militares dos EUA desembarcaram após oito meses no mar
Pattaya, na Tailândia, é conhecida internacionalmente pela intensa vida noturna e pelo turismo sexual; prefeituras impôs restrições para os soldados
O porta-aviões americano USS Abraham Lincoln chegou ao porto de Laem Chabang, na Tailândia, nesta quarta-feira, 02, após 286 dias no mar, incluindo um longo período de operação no Oriente Médio. Os quase 5 mil tripulantes têm permissão para passar cinco dias na cidade de Pattaya, um destino popular de férias para as tropas americanas desde a Guerra do Vietnã.
Conhecida internacionalmente pela intensa vida noturna — e também pelo turismo sexual, apesar dos esforços das autoridades para mudar essa imagem — Pattaya vem enfrentando uma queda no movimento de visitantes e no consumo, agravada pela guerra dos Estados Unidos contra o Irã.
O enorme porta-aviões permanecerá em Laem Chabang até domingo. A cidade espera um impacto econômico de cerca de US$ 3,1 milhões (aproximadamente R$ 16 milhões).
Restrições
As autoridades dos dois países adotaram uma série de restrições para evitar polêmicas durante a estadia. Militares americanos foram proibidos de frequentar determinadas áreas de Pattaya, entre elas a Soi 6, rua conhecida pela concentração de bares de strip-tease e estabelecimentos ligados ao comércio sexual.
Lojas de cannabis também estão fora dos limites para a tripulação, assim como algumas atividades recreativas, entre elas parasailing e jet ski.
A Marinha americana organizou ônibus entre o porto e Pattaya, com funcionamento das 5h às 2h da manhã durante a permanência do porta-aviões. Dois hotéis foram disponibilizados para militares que desejarem passar a noite em terra.
Do lado tailandês, centenas de policiais foram mobilizados para reforçar a segurança nas áreas de entretenimento. Comerciantes também foram alertados para não cobrar preços abusivos dos visitantes americanos.
O prefeito de Pattaya, Poramase Ngampiches, reconhece que a reputação da cidade continua associada à prostituição, embora as autoridades tentem promover outras atividades. “A cidade é conhecida pelas garotas de programa. Entendemos os estigmas. Não podemos evitá-los”, afirmou.
Relação antiga
A presença americana em Pattaya remonta a décadas antes da atual escala. Localizada a cerca de 100 quilômetros de Bangkok, a cidade era uma pequena vila de pescadores até meados do século XX.
Os primeiros militares americanos começaram a frequentar a região no fim dos anos 1950, mas foi durante a Guerra do Vietnã que Pattaya passou por uma transformação radical. A proximidade com instalações militares utilizadas pelos Estados Unidos, como a Base Naval de Sattahip e o aeródromo de U-Tapao, transformou a cidade em um destino de descanso para tropas enviadas à região.
A chegada de soldados estimulou a construção de hotéis, bares, casas noturnas e estabelecimentos de massagem. A retirada das tropas, após o fim da guerra, não interrompeu o desenvolvimento da infraestrutura criada para atendê-las, e Pattaya passou a receber um número crescente de visitantes, consolidando-se como um dos principais destinos turísticos do país.
Condições a bordo do USS Abraham Lincoln
O USS Abraham Lincoln deixou San Diego, nos Estados Unidos, em novembro do ano passado. Inicialmente, a missão deveria durar seis meses e se concentrar no Pacífico e no Mar da China Meridional. O navio, porém, foi deslocado para o Golfo Pérsico depois que Estados Unidos e Israel iniciaram operações militares contra o Irã, em 28 de fevereiro.
Nos Estados Unidos, congressistas democratas pediram uma investigação sobre as condições de vida a bordo do USS Abraham Lincoln, após denúncias de escassez de alimentos, problemas de infraestrutura e questões de saúde mental durante o destacamento prolongado.
Segundo o veículo especializado Navy Times, pelo menos dois marinheiros teriam tentado suicídio se jogando no mar.
O presidente Donald Trump, no entanto, minimizou os relatos, assim como as perguntas sobre o período excepcionalmente longo de viagem do porta-aviões. Já o secretário-adjuto interino da Marinha americana, Hung Cao, reconheceu que “um pequeno número de casos relacionados à saúde mental” havia sido atendido, mas afirmou que “nenhuma morte” foi relatada.





