A ‘arma secreta’ que a Ucrânia pode ganhar para virar a guerra contra a Rússia
Em meio às celebrações da independência ucraniana, Kiev pode receber em breve novo trunfo para usar no campo de batalha
Em meio à visita do primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, a Kiev, nesta segunda-feira, 24, e um novo pacote de ajuda prometido pela União Europeia, a Ucrânia pode ganhar em breve um novo trunfo na guerra travada contra a Rússia.
No domingo, o governo do Reino Unido indicou que o líder trabalhista pretende “anunciar que o governo deu a aprovação para que a empresa de defesa MBDA compartilhe informações sigilosas sobre os componentes britânicos do míssil de longo alcance SCALP”, permitindo que os ucranianos produzam as armas no próprio país. O sistema, chamado de Storm Shadow pelos britânicos e SCALP pelos franceses, foi desenvolvido em uma parceria entre as duas nações europeias.
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O míssil de cruzeiro já é utilizado no campo de batalha contra alvos militares russos, sobretudo contra instalações protegidas e fortificadas, como bunkers e centros de comando – uma tarefa quase impossível para os drones mais leves que Kiev vem usando para atingir alvos expostos, como refinarias de petróleo e depósitos.
A autorização para produção em solo ucraniano, no entanto, não resolve problemas de uma vez, já que o país ainda depende de aliados para armas mais complexas, sobretudo sistemas de defesa, como o Patriot americano – Washington, no entanto, reduziu seus estoques após o uso de grande quantidade de interceptadores durante o conflito com o Irã e tem demonstrado resistência em ampliar os envios.
Nesta segunda, ao passo que lideranças do velho continente viajaram a Kiev enquanto o país celebra o 35º aniversário de sua independência, a União Europeia (UE) anunciou um novo pacote de ajuda de 6,1 bilhões de euros (cerca de R$ 36 bilhões).
A ajuda é parte de um empréstimo de 90 bilhões de euros concedido a Kiev. Mais da metade do montante será destinada à assistência militar, incluindo o reforço da defesa aérea, além da aquisição de mísseis e munições.
A Comissão Europeia justificou a liberação do valor afirmando que o fortalecimento das defesas ucranianas se tornou cada vez mais urgente. Segundo o bloco, a Rússia realizou quase 400 ataques com mísseis apenas em julho.
No sábado, o presidente francês, Emmanuel Macron, se comprometeu a enviar interceptadores para a Ucrânia após uma nova onda de ataques.
Coalizão dos Dispostos
As novas medidas são discutidas enquanto o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, recebe os principais aliados europeus que integram a chamada Coalizão dos Dispostos. O grupo se reúne para discutir novas formas de apoio a Kiev, quatro anos e meio após o início da invasão russa em larga escala.
“Neste Dia da Independência da Ucrânia, expressamos nosso apoio inabalável”, afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em sua conta no X (ex-Twitter).
Enquanto isso, a Rússia acusou o Reino Unido de dificultar as negociações de paz ao fornecer à Ucrânia informações necessárias para a produção dos mísseis Storm Shadow.
“A Grã-Bretanha está, de forma metódica e regular, atiçando o fogo e a tramando esquemas para impedir até mesmo o mínimo progresso no processo de paz”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, acrescentando que Moscou atacaria e “destruiria” as instalações de produção do míssil na Ucrânia.
O presidente russo, Vladimir Putin, também acusou Kiev, no sábado, de ter “aberto a caixa de Pandora” ao atacar a economia russa com disparos cada vez mais frequentes contra refinarias de petróleo. A campanha com drones de longo alcance já provocou escassez generalizada de combustível em Moscou e outras cidades do país.







