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A arma de 1910 que o Exército da Ucrânia ainda usa para combater a Rússia

O modelo Maxim M1910 – motivo de chacota de Moscou – tem alto poder letal por desencadear uma sucessão de tiros com uma única puxada de gatilho

Por Da Redação Atualizado em 12 Maio 2022, 19h41 - Publicado em 12 Maio 2022, 19h38

Desde o início da invasão da Rússia à Ucrânia, em 24 de fevereiro, os Exércitos e aparatos militares dos dois países ficaram sob escrutínio internacional. Bem longe dos modernos equipamentos usados por algumas forças militares, chamou atenção metralhadoras de 1910 usadas por tropas de Kiev. As armas não são padrão, mas, segundo o governo ucraniano, estão disponíveis quando solicitadas.

Chamada de Maxim M1910, a arma pesa 68 kg e tem um escudo blindado em uma montagem distinta de duas rodas, permitindo que ela seja rebocada atrás de um veículo ou manobrada pelos soldados que estão atirando. O equipamento, que fazia parte do arsenal do Império Russo, é a versão russa da primeira metralhadora automática, que foi patenteada em 1883.

Apesar da insistência da mídia russa em criticar o equipamento, dizendo se tratar de um exemplo do antiguado arsenal ucraniano, as variantes da Maxim têm uma alta capacidade letal, já que um tiro desencadeia uma sucessão de balas – isso é possível por causa de um cano refrigerado a água permite que ele continue atirando por longos períodos. Além de resfriamento a água permitindo fogo sustentado, seus suportes fixos facilitam a mira.

A mecânica, e uma tecnologia inovadora à época,  foi responsável por marcar um período de matança e terror durante o apogeu do imperialismo no final do século XIX. Isso permitiu que pequenas forças européias matassem milhares de pessoas e revolucionou a guerra entre os próprios estados europeus.

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Em geral, as metralhadoras modernas são mais portáteis e leves: a da Rússia, por exemplo, pesa menos de um quinto da Maxim, por exemplo. No entanto, elas não têm refrigeração a água, o que impede de disparar continuamente, porque pode fazer com que o cano se deforme ou a arma “esfrie”, quando as balas disparam sem que o gatilho seja puxado.

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“Não é algo muito raro em Donbas (…) Vi a primeira vez com a 92ª Brigada de Infantaria Mecanizada da Ucrânia na Promzona, em 2018”, escreveu o jornalista Illia Ponomarenko, do Kyiv Independent. Segundo ele, um dos militares disse que “atira e nunca trava. O que mais você quer de uma metralhadora?”. 

Em 2016, o ministro da Defesa da Ucrânia confirmou que havia autorizado a liberação de algumas Maxim. Uma auditoria em 2012 mostrou que a Ucrânia tinha 35.000 armas armazenadas, todas fabricadas entre 1920 e 1950. Soldados ucranianos já falaram que a ferramenta era altamente precisa a um quilômetro, eficaz a três quilômetros, e que não o trocariam por uma arma mais moderna.

A arma não está oficialmente em serviço com nenhum outro Exército, embora milícias separatistas apoiadas pela Rússia na região de Donbas também as usem, e também existem registros dela em zonas de conflito da Síria ao Vietnã.

Apesar da antiga tecnologia, o equipamento ainda deve ser visto mais vezes no campo de batalha. Na terça-feira, 10, a diretora da Inteligência Nacional dos Estados Unidos afirmou que o presidente russo, Vladimir Putin, está se preparando para uma longa guerra contra a Ucrânia, e que os objetivos de Moscou se estendem para além da região de Donbas.

Recentemente, o comandante do Distrito Militar Central da Rússia, Rustam Minnekaev, explicitou o objetivo de assumir “controle total” tanto sobre o sul da Ucrânia quanto sobre Donbas, onde se concentram os separatistas pró-Rússia. O controle das áreas criaria um corredor terrestre conectando a Rússia à Crimeia, península anexada por Moscou em 2014, e daria às forças russas acesso à Transnístria, um estado separatista na Moldávia, onde um contingente de forças russas está alocado desde o início dos anos 1990.

A avaliação de Haines é compartilhada por autoridades ocidentais e foi ecoada recentemente pelo secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg.  Segundo o chefe da aliança militar ocidental, a guerra pode durar meses ou anos. No começo de abril, em tom similar, o chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, o general Mark Milley, já havia afirmado que a guerra poderia seguir “durante anos”

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