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Quase 90 mil refugiados fugiram para Bangladesh em 10 dias

A minoria muçulmana rohingyas sofre perseguição religiosa em Mianmar, palco de violência desde 2012

Por Da redação Atualizado em 4 set 2017, 15h37 - Publicado em 4 set 2017, 15h36

Pelo menos 87.000 pessoas, refugiados rohingyas em sua maioria, chegaram a Bangladesh desde o início da violência em Mianmar, em 25 de agosto, informou a Organização das Nações Unidas (ONU) nesta segunda-feira.

Milhares de membros dessa minoria muçulmana em um país de maioria budista cruzaram a fronteira com Bangladesh desde que os confrontos começaram, amontoando-se em acampamentos de refugiados já sobrecarregados.

Cerca de 20.000 continuam na fronteira entre Bangladesh e o estado de Rakain, no oeste de Mianmar, à espera de poder cruzá-la, acrescentou a ONU. Desses, mais de 2.000 – entre eles várias crianças – que se escondiam na ilha de Saint Martin, também em Bangladesh, foram deportados nesta segunda-feira de volta a Mianmar.

  • O conflito

    O estado de Rakhine é palco atualmente de um violento conflito entre as forças do Exército de Mianmar e ativistas do Exército de Salvação Rohingya de Arakan, uma milícia que luta pelos direitos dos rohingyas em Mianmar. O povo sem território conhecido é considerado uma das comunidades mais perseguidas do mundo pela ONU.

    Calcula-se que mais de 1 milhão de rohingyas vivam em Rakhine, mas não são reconhecidos como cidadãos pelo governo de Mianmar. Em Bangladesh, onde vivem entre 300.000 e 500.000 rohingyas, os membros da minoria são considerados como imigrantes ilegais. Apenas 32.000 deles têm status de refugiados e vivem em acampamentos em Cox’s Bazar.

    Desde 2012, o estado de Rakain é palco da violência religiosa. Muitos rohingyas foram assassinados, e milhares de pessoas – grande parte da minoria muçulmana – se viram obrigadas a fugir para os acampamentos de refugiados. Contudo, a atual onda de violência é a mais grave já registrada. De acordo com as Forças Armadas birmanesas, quase 400 pessoas morreram nos últimos dez dias. Destes, pelo menos 370 são militantes rohingyas.

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    O conflito começou após um ataque do Exército de Salvação Rohingya contra postos policiais e militares em Rakhine, deixando mais de 100 mortos, a maior parte deles da guerrilha. Desde então, o Exército local lançou uma grande operação nessa região pobre e remota do oeste de Mianmar. O governo acusa os ativistas, os quais descreve como “terroristas bengaleses”, de incendiarem as casas dos rohingyas e de outras comunidades.

    As autoridades de Mianmar, contudo, foram fortemente criticadas pelas autoridades internacionais por suas ações violentas. A ONU expressou sua “profunda preocupação” e pediu calma às forças de segurança locais para “evitar uma catástrofe humanitária”.

    O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, chamou a violência de “genocídio” e assegurou que quer levar o caso à Assembleia Geral da ONU este mês. “Os que fecham os olhos para o genocídio cometido sob o disfarce de democracia são seus colaboradores”, declarou em um discurso em Istambul.

    Ajuda humanitária

    Segundo o jornal The Guardian, o governo de Mianmar proibiu que as agências da ONU distribuíssem comida, água e remédios para as milhares de vítimas do conflito. O escritório da organização internacional no país afirmou que as entregas de suplementos foram suspensas “porque a situação de segurança e as restrições de visita ao campo impostas pelo governo nos tornaram incapazes de fazer a distribuição”.

    “A ONU está em contato com as autoridades para garantir que as operações humanitárias possam retomar o mais rápido possível “, disse o escritório. A ajuda humanitária, contudo, chegou a outras partes do estado de Rakhine menos atingidas pelo conflito.

    (Com AFP)

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