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40 anos depois, ícone da Guerra do Vietnã trata suas queimaduras nos EUA

Kim Phuc foi queimada após militares sul-vietnamitas lançarem napalm num vilarejo tomado por norte-vietnamitas nos arredores de Saigon, durante a Guerra do Vietnã

No dia 8 de junho de 1972, Kim Phuc, então com 9 anos de idade, protagonizou uma cena que ficaria marcada como um símbolo da Guerra do Vietnã. Após um ataque com agente napalm, um gel pegajoso e incendiário, Kim foi fotografada correndo, em prantos, com o corpo queimado. Hoje, mais de 40 anos depois da tragédia no então Vietnã do Sul, ela recebe tratamentos estéticos nos Estados Unidos para se livrar das marcas de queimadura.

A mulher de 52 anos viajou de sua casa em Ajax, no Canadá – onde vive com seu marido e filhos desde a década de 90 – até Miami para se consultar com um dermatologista especializado em tratamentos a laser para pacientes com queimaduras. A terapia deve suavizar as dores no corpo e as cicatrizes que estão espalhadas por seu braço esquerdo, pescoço e costas. “Por anos eu achei que só não teria cicatrizes e dores quando chegasse ao céu. Agora, o céu está na Terra para mim”, disse ela à agência Associated Press (AP).

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Acompanhando Kim durante o tratamento estão seu marido, Bui Huy Toan, e Nick Ut, o fotógrafo da Associated Press que capturou o momento de desespero em 1972, após militares sul-vietnamitas lançarem napalm no vilarejo de Trang Bang, nos arredores de Saigon. O local estava ocupado por guerrilheiros norte-vietnamitas, mas o ataque acabou atingindo muitos civis. Hoje, com 65 anos, Nick conta que após a foto, colocou a menina na van da AP e a levou até o hospital. No caminho, a menina gritava: “Eu acho que estou morrendo, muito quente, muito quente. Estou morrendo”.

Kim sofreu queimaduras seríssimas em um terço de seu corpo. Na época, a grande maioria das pessoas afetadas por tais ferimentos em mais de 10% do corpo morria, afirma Jill Waibel, o médico responsável pelo tratamento a laser de Kim Phuc. Segundo Waibel, o tratamento deverá ter sete sessões ao longo de oito ou nove meses. “Talvez leve um ano”, conta Phuc, já de volta ao Canadá. “Mas estou muito animada e grata”.

Kim Phuc passa por exame médico antes de ser submetida a tratamentos a laser para amenizar a dor e a aparência das cicatrizes de queimadura em suas costas e braço esquerdo Kim Phuc passa por exame médico antes de ser submetida a tratamentos a laser para amenizar a dor e a aparência das cicatrizes de queimadura em suas costas e braço esquerdo

Kim Phuc passa por exame médico antes de ser submetida a tratamentos a laser para amenizar a dor e a aparência das cicatrizes de queimadura em suas costas e braço esquerdo (/)

(Da redação)