Clique e Assine a partir de R$ 19,90/mês

Escola dos EUA censura “Maus”, HQ sobre o Holocausto vencedora do Pulitzer

Retirada do livro da lista de leituras de estudantes de 14 anos é parte de uma estratégia de conservadores americanos para vetar "obras polêmicas"

Por André Sollitto Atualizado em 27 jan 2022, 17h30 - Publicado em 27 jan 2022, 13h14

Um distrito escolar do Tennessee, nos Estados Unidos, baniu a graphic novel Maus (clique para comprar) de lista de leituras recomendadas para os alunos da oitava série de todas as unidades da rede pública. Escrita por Art Spiegelman, a HQ vencedora do Pulitzer de 1992 aborda o Holocausto a partir da perspectiva de Vladek, seu pai e sobrevivente de um campo de concentração. A obra em branco e preto retrata os judeus perseguidos como ratos (“maus”, em alemão) e os perseguidores nazistas como gatos.

A justificativa do conselho da McMinn Country School é a de que as ilustrações mostram “nudez” – em uma passagem, vítimas do Holocausto são forçadas a se despir quando são chegam a um campo de concentração. Além disso, teriam expressões “impróprias” para os leitores de 13 a 14 anos, como os estudantes da oitava série. Os responsáveis afirmaram que a censura à obra não teria nenhuma relação com o Holocausto e a decisão pela exclusão do livro de leituras recomendadas foi unânime, por 10 votos a 0.

O Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos divulgou um comunicado em que diz que Maus tem sido vital na educação de alunos de todo o país sobre o Holocausto a partir das experiências contadas em detalhes pelas vítimas. “Livros como Maus são capazes de inspirar estudantes a pensar de forma crítica sobre o passado”, diz a nota.

Em entrevista ao jornal The Washington Post, Jon B. Wolfsthal, ex-consultor de segurança nacional do presidente Joe Biden e filho de um sobrevivente do Holocausto, afirmou que a nudez e o uso de palavrões no livro são reflexo dos horrores da perseguição aos judeus. “Tentar aliviar as atrocidades diminui a escala dos crimes cometidos”, afirmou.

A decisão foi tomada originalmente no dia 10 de janeiro, mas a notícia só começou a circular na última quarta-feira, 26, e ganhou força nas redes sociais nesta quinta-feira, 27, justamente no Dia Internacional da Memória do Holocausto.

O movimento para tirar Maus da lista de livros não é um caso isolado. Há um movimento crescente de políticos da extrema-direita dos Estados Unidos em tentar vetar a leitura de obras que contenham referências sexuais, abordem temas como a causa LGBTQ ou, de maneira geral, contradigam uma visão conservadora da história.

No final de 2021, o governador eleito da Virgínia, Glenn Youngkin, defendeu a censura a Amada (clique para comprar), da vencedora do Nobel de Literatura Toni Morrison. O livro aborda os horrores da escravidão e também recebeu o Pulitzer.

No Texas, Matt Krause, membro da Câmara de Representantes do Estado, abriu uma investigação contra escolas que tenham cópias de 850 livros considerados “impróprios”. A relação inclui As confissões de Nat Turner, outro vencedor do Pulitzer escrito por William Styron, também sobre a escravidão, e a versão em quadrinhos de O Conto da Aia (clique para comprar), de Margaret Atwood.

*As vendas realizadas através dos links neste conteúdo podem render algum tipo de remuneração para a Editora Abril

Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique. Assine VEJA.

Impressa + Digital

Plano completo da VEJA! Acesso ilimitado aos conteúdos exclusivos em todos formatos: revista impressa, site com notícias 24h e revista digital no app, para celular e tablet.

Colunistas que refletem o jornalismo sério e de qualidade do time VEJA.

Receba semanalmente VEJA impressa mais Acesso imediato às edições digitais no App.

a partir de R$ 39,90/mês

Digital

Plano ilimitado para você que gosta de acompanhar diariamente os conteúdos exclusivos de VEJA no site, com notícias 24h e ter acesso a edição digital no app, para celular e tablet.

Colunistas que refletem o jornalismo sério e de qualidade do time VEJA.

Edições da Veja liberadas no App de maneira imediata.

a partir de R$ 19,90/mês