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“É desafiador cuidar de crianças”

Indicado ao Prêmio Veja-se na categoria Saúde coordena a Unidade de Internação de crianças e adolescentes do Instituto de Psiquiatria da USP

Um dos campos da medicina que mais avançam é a investigação de como os estímulos — bons ou ruins — podem fazer a diferença na vida de uma criança na primeira infância. Recentemente, a área começou a receber a atenção dos especialistas brasileiros. Entre eles está o psiquiatra Guilherme Vanoni Polanczyk, que coordena estudo inédito no país com adolescentes grávidas que moram em regiões pobres da cidade de São Paulo. Elas são acompanhadas periodicamente por enfermeiras, desde a gravidez até que os bebês tenham 2 anos. O objetivo é ensinar essas mães a cuidar dos filhos e ajudá-las a explorar todo o potencial dos bebês por meio de brincadeiras, afeto e diálogo. Os primeiros resultados foram colhidos neste ano, com evidências de que o simples fato de crescer na pobreza pode afetar o desenvolvimento da linguagem, habilidades de planejamento e organização e também a memória. “As crianças são a perspectiva de futuro que temos para o nosso país. É preciso proporcionar a elas um desenvolvimento cognitivo e permitir que possam ir além. Só assim poderemos continuar progredindo e ter um futuro saudável”, diz Polanczyk. Em curto prazo, isso significa capacidade de aprendizado ampliada, melhor interação e redução da agressividade. No futuro, o impacto disso é a queda no índice de transtornos mentais, a diminuição de doenças crônicas e taxas menores de criminalidade. Portanto, jovens mais saudáveis.

Estima-se que 10 milhões de crianças tenham algum transtorno mental. Na infância, são comuns problemas como déficit de atenção e hiperatividade, ansiedade, entre outros. São condições que surgem no momento crucial da vida dos pequenos e que atrapalham o aprendizado e a interação com a família e com outras crianças. Formado há quinze anos, Polanczyk tem olhar apurado para encontrar sinais de que algo está errado com uma criança. Criou no Hospital das Clínicas, em São Paulo, em 2011, o primeiro e único serviço do país com o objetivo de reconhecer os transtornos mentais em menores de 6 anos. Até agora, já foram mais de 300 atendimentos. Ajudar os outros sempre foi um desejo seu. Quando pequeno, queria ser bombeiro, mas achou a profissão muito perigosa e optou pela medicina. Lida todos os dias com casos gravíssimos, mas também tem a oportunidade de salvar futuros. “É desafiador cuidar de crianças. Elas são muito divertidas e fazem com que a tarefa se torne um pouco mais leve.” Em 2006, ele foi reconhecido pela Associação Brasileira de Psiquiatria com o Prêmio Jovem Psiquiatra, por seus estudos na área. Até agora, já publicou mais de 100 artigos científicos.

Conheça os três candidatos nesta categoria. A votação está encerrada.

Saúde
Guilherme Polanczyk – O psiquiatra coordena a Unidade de Internação de crianças e adolescentes do Instituto de Psiquiatria da USP Leia o perfil completo
Priscila Miranda – A oncologista e paliativista dirige o Hospital Dia Oncovida e fundou uma associação que acolhe pacientes carentes em Montes Claros Leia o perfil completo
Salmo Raskin – O pediatra e geneticista é diretor do Centro de Aconselhamento e Laboratório Genetika, pesquisador e professor Leia o perfil completo