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Torneio vai eleger o melhor american barbecue do Brasil

A equipe vencedora irá disputar o principal concurso internacional de churrasco

Por Bruna Motta - 29 nov 2019, 16h46

O churrasco brasileiro está ganhando um novo sotaque – e ele vem de fora. Cresce a cada dia o número de restaurantes que estão colocando no cardápio o american barbecue, o famoso churrasco americano, feito com as carnes lambuzadas em doses generosas de molho barbecue. Assadas lentamente nos pits, uma churrasqueira com compartimentos fechados para a lenha e a carne, briskets (peito de boi), ribs (costelinha de porco) e outros cortes chegam à mesa desmanchando na boca, e com um gosto defumado delicioso. Eles vêm fazendo tanto sucesso por aqui que já se tornaram até “motivo de briga”. Neste sábado, 30, acontece em São Paulo, a final da seletiva brasileira do Pitmasters, evento internacional que decide quem é o melhor churrasqueiro do mundo.

Para garantir o título, de melhor churrasqueiro do Brasil ao menos, os competidores terão que impressionar os juízes. Os avaliadores irão provar quatro cortes, incluindo peito bovino, sobrecoxa de frango, costela e sobre paleta suína. Serão dezesseis equipes na disputa, cada uma com cinco integrantes, e a vencedora carimba o passaporte para participar das etapas estrangeiras, que acontecem em Houston, nos Estados Unidos, e Sydney, na Austrália, em 2020. “Ter brasileiros num concurso internacional, ao lado de competidores americanos, suecos e gregos, vai trazer muito conhecimento para o barbecue brasileiro”, diz Daniel Lee, de 36 anos, um dos responsáveis por colocar o Brasil na rota internacional do churrasco.

Paulista de origem coreana, Lee aprendeu a preparar o legítimo barbecue durantes visitas a familiares nos Estados Unidos. Ele conta que a parte dianteira dos animais, normalmente mais dura, não é uma escolha comum entre os brasileiros. Já nos Estados Unidos essa é uma das partes nobres para o american barbecue. Foi esse um dos fatores que o levaram a estudar mais sobre o assunto, fazendo cursos no exterior, testando técnicas de conservação e maturação. Depois de largar o mundo corporativo, ele então decidiu colocar o avental e se dedicar a profissão de churrasqueiro profissional. Entrou para a Kansas City Barbecue Society (KCBS), maior entidade internacional de churrasco, e fundou a Pitmasters Brasil, instituição com sede em São Paulo que qualifica, certifica e representa a cultura do churrasco americano por aqui.

A realização de uma etapa do principal torneio internacional de churrasco no Brasil só comprova que o american barbecue já deixou de ser apenas uma tendência por aqui. Entre os competidores está a catarinense Tatiana Costa, engenheira ambiental que foi campeã da etapa do Sul. Assim como Lee, ela descobriu sua paixão pelo churrasco nos Estados Unidos, enquanto trabalhava em um restaurante de carnes onde aprendeu a técnica de defumação. De volta ao Brasil em 2016, trouxe na mala a nova paixão. Abriu uma smoke hourse, especializada em defumação, em Florianópolis, e quer representar o Brasil no exterior.

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Para a competição em São Paulo, ela irá levar 1500 reais em insumos. Só de carne são 13 quilos. A competição, no entanto, começa muito antes do dia da prova. A primeira etapa é a escolha das carnes. Depois vem a limpeza correta. A lenha – preferencialmente de origem frutífera que não leva toxinas – e o carvão precisam ser esquentados até atingir 120 graus. É nessa hora que as carnes são levadas para a churrasqueira. Dependendo do corte, a defumação leva em torna de 2 a 5 horas. Depois a peça é embalada por papel alumínio, voltando ao forno, até atingir a temperatura interna ideal de cada corte.

Segundo Daniel Lee, a categoria mais difícil é a do peito bovino. “É ela que exige o maior tempo de cozimento”, revela o churrasqueiro. Independentemente do corte, os critérios levados em consideração pelos julgadores são os mesmos: boa aparência, textura do corte e claro, sabor. O grande desafio é entregar as carnes suculentas e macias, mas sem desmanchar. Aos interessados em uma provinha: o torneio será aberto ao público, que poderá acompanhar a competição e aproveitar a praça de alimentação para experimentar o legítimo barbecue à brasileira.    

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