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“Como pouquíssima carne”

A jurada do 'MasterChef', que estreou sua nova temporada no domingo 24 na Band, explica as razões de consumir cada vez menos esse alimento

Na estreia da nova temporada do MasterChef, a senhora teve de provar bifes preparados pelos candidatos. Para alguém que já revelou não ser muito fã de carne, isso é uma tortura? Não, pois o programa não conta na minha rotina alimentar. Como muito pouca carne no programa e, quando isso acontece, evito comer no dia a dia. Uma coisa compensa a outra. O programa faz parte da minha profissão, e na minha profissão tenho de comer de tudo.

Pretende virar vegetariana um dia? Não. Mas eu como pouquíssima carne. Às vezes, posso passar um mês inteiro sem comer. Não preciso.

Quanto há de decisão pessoal e quanto de posicionamento político na sua dieta? Minha alimentação sempre foi superbalanceada. Gosto de tudo, e por isso coloco várias cores no prato. Busco alimentar saudavelmente minha filha. Tudo pensando na nossa saúde como pessoas e na saúde do meio ambiente. Como cozinheira e dona de um restaurante, tenho um impacto no ambiente e isso conta para mim.

É verdade que o epíteto “musa das carnes” a incomoda? Odeio. Não gosto mesmo. Porque eu não cozinho só carne. Eu sei cozinhar várias coisas: grãos, vegetais, peixes. Cozinho carne muito bem, mas não é a única coisa que sei fazer.

Para alguém que veio da Argentina, pátria do churrasco, renunciar à carne não é um problema? Argentino não nasce com um bife de chorizo na mamadeira. Lá tem carne, mas tem um monte de outras coisas de comer. Há muitos argentinos vegetarianos.

Embora cozinhe mais em casa, a mulher ainda é minoria nas cozinhas pro­fissionais. Por quê? Tem muito a ver com a história. A gastronomia, há 100 anos, era um trabalho fisicamente muito mais duro do que é hoje. Tem a ver também com o horário. Num restaurante, trabalha-se à noite, trabalha-se nos fins de semana. Se a mulher é mãe, fica difícil que ela tenha apoio na família. Mas as coisas estão mudando. Tem espaço para a mulher entrar onde quiser.

As redes sociais vibram quando a senhora é durona no MasterChef. A imagem corresponde à Paola real? Se as pessoas acham que sou dura, devo ser mesmo. Mas não me considero assim. Muitas vezes, eu sou firme: se vejo alguém que está ali brincando e não reparou na oportunidade que tem no programa, faço o que considero que tem de ser feito. Mas também sou carinhosa, dependendo do momento.

Publicado em VEJA de 3 de abril de 2019, edição nº 2628

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