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Zico: ‘É mais fácil ser presidente da Fifa do que da CBF’

Treinador diz que é preciso mudança de regras para evitar a corrupção. No Brasil, diz ser mais difícil porque o colégio eleitoral é menor e concorda com a atual administração

Por Da Redação 10 jun 2015, 18h24

O ex-jogador e treinador Zico confirmou nesta quarta-feira sua intenção de concorrer à presidência da Fifa. O anúncio foi feito em entrevista no Rio de Janeiro, depois que ele divulgou pelas redes sociais sua vontade de participar do processo de eleição, após a renúncia do suíço Joseph Blatter. Segundo Zico, é mais fácil se candidatar à Fifa que ao cargo da CBF, porque as federações estaduais dão amplo apoio ao mandatário Marco Polo Del Nero. “Muita gente me pergunta por que a Fifa primeiro e não a CBF. Porque a CBF é um colégio eleitoral pequeno, são 27 federações e é preciso ser indicado por cinco. O Sócrates tentou se candidatar e não conseguiu apoio.”

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Segundo Zico, “as 27 federações são todas ou quase todas de acordo com o que está na CBF, então não há chance de se candidatar por aqui”, disse. “É mais fácil conseguir apoio de cinco federações no mundo do que aqui na CBF. Eu me sinto capacitado para a função, mas a forma como são feitas as indicações é um prenúncio para a corrupção.” Atualmente, um candidato precisa ter trabalhado com futebol em pelo menos dois dos últimos cinco anos e tem de ter o apoio de cinco das 209 federações filiadas à Fifa.

Zico diz que ainda não está em campanha. “Não conversei com ninguém. A eleição deve ser feita pelos seus serviços prestados ao futebol.” E também respondeu sobre uma possível chapa com o presidente da Uefa, Michel Platini, de quem é amigo. “Tudo é possível, mas ele ainda não se decidiu, e acho que ninguém vai decidir enquanto as regras do jogo não ficarem claras.”

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O ex-jogador, que já foi ministro do Esporte no governo Collor (em 1991), comentou já ter pensado em trabalhar para a entidade, mas se desanimou ao lembrar dos escândalos de corrupção nas quais o nome da confederação estaria envolvido. “Muitas vezes surgiu a ideia de ir para a CBF, mas nunca vi possibilidade de mudança nesse sentido (de corrupção), e agora enxergo essa possibilidade e a minha voz pode servir para que outras pessoas do esporte e do futebol busquem uma mudança”, lembra.

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Segundo Zico, o futebol brasileiro sofre da falta de representatividade entre os próprios atletas. E ele lamenta a perda de fôlego que o movimento Bom Senso FC sofreu. “Fiquei muito feliz quando surgiu o Bom Senso, porque os jogadores estavam atuando. Mas tenho a impressão que muitos envolvidos foram caindo fora, foram deixados de lado, tirados do time. Assim, jogadores em atividade precisam muita força e personalidade para falar algo nesse momento.”

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Sobre a prisão de José Maria Marín e as declarações de inocência do atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, Zico não fez nenhuma acusação. “Não conheço Del Nero, não sei que trabalho foi feito na Federação em São Paulo. Acho que ele e Marín, pelo que apresentam, estão sempre juntos.”

Se conseguir levantar sua candidatura, Zico deverá concorrer com o príncipe da Jordânia Ali bin Al Hussein, derrotado por Blatter no pleito do último mês de maio, apoiado por Diego Armando Maradona, que mostrou vontade de ser vice de Hussein.

Nesta quarta, a Fifa anunciou que vai fazer uma reunião extraordinária do comitê executivo em julho para discutir as datas da eleição para escolher o substituto de Blatter.

(Da redação)

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