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Zetti diz que não é torcedor, mas garante ter carinho pelo São Paulo

Por Da Redação - 18 dez 2011, 06h12

O ex-goleiro Zetti rodou por grandes clubes do Brasil como jogador e técnico, passando inclusive por Palmeiras e Santos. Ele diz que, por vivenciar o dia a dia do futebol por tanto tempo, não é torcedor de nenhum deles, mas lembra com carinho dos títulos que conquistou pelo São Paulo.

Foram 13 troféus pela equipe, entre os quais estão dois Campeonatos Paulistas (1991 e 1992), um Campeonato Brasileiro (1991), duas Copas Libertadores (1992 e 1993) e dois Mundiais (1992 e 1993). Foi para falar sobre a primeira vez que subiu ao topo do planeta, ao bater o Barcelona por 2 a 1 em Tóquio, que o ex-atleta participou do especial ‘Mundo Tricolor’, que será exibido pela TV Gazeta às 21h30 deste domingo.

Antes da gravação, Zetti conversou com a reportagem da Gazeta Esportiva.Net e, além de reforçar o respeito que nutre pelo Tricolor, lembrou da sensação que sentia ao ver a aglomeração da torcida em frente ao Morumbi e falou sobre detalhes do título mundial que completará 20 anos em 2012.GE.Net: O São Paulo de 1992 era uma Ferrari, como disse o técnico Cruyff depois da derrota no Mundial?

Zetti: Era uma Ferrari porque buscou o título. Para conseguir seu objetivo, você tem que passar por cima de todo mundo, ser o melhor, ser o primeiro. Nós fomos os primeiros. Chegar a uma final de Mundial, enfrentar aquele que era considerado o melhor time, sair perdendo por 1 a 0 e virar para 2 a 1 não é fácil. Mostramos muita qualidade, muita calma, uma dedicação diferente naquele dia.

GE.Net: Emerson Leão diz que gostaria de ter mais coadjuvantes eficientes do que estrelas no São Paulo. Como era a equipe do Telê?

Zetti: O São Paulo era diferente. Era um time que tinha suas estrelas e tinha coadjuvantes de qualidade, o grupo era muito forte. Todo mundo entendia a importância de cada um, todos se sentiam importantes independente de quem fazia o gol ou dava o passe. Essa era a diferença, foi por isso que aquele time ganhou quase tudo. Os jogadores se gostavam e acreditavam que poderiam chegar, principalmente por causa do comando do Telê. Todo mundo era estrela e ao mesmo tempo todo mundo era humilde.

GE.Net: Telê não gostava de ver atletas com carros muito caros. Como acha que ele reagiria ao ver garotos que ainda nem são titulares chegando para treinar com modelos importados?

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Zetti: Ele chamaria a atenção do garoto, com certeza. Ele fazia isso conosco pela preocupação que tinha com nossa carreira. Era até mais difícil ganhar dinheiro naquela época do que hoje, a concorrência era maior ainda. Na época também era mais difícil aparecer com carrões importados, então acho que ele talvez pudesse moldar a mente no mundo de hoje, com esses grandes salários.

GE.Net: A história que você construiu no São Paulo te transformou em torcedor?

Zetti: A gente que vive no meio do futebol e roda em vários clubes vê de outra forma. Eu não torço mais, não tenho essa vibração. Gosto do futebol, vivo do futebol e torço para os amigos, independente do clube em que estejam. Mas eu me identifico com o São Paulo, a torcida se identifica com o Zetti também, por tudo que foi conquistado. O carinho maior é pelo São Paulo, foi lá que conquistei tudo.

GE.Net: Está faltando aos atletas de hoje ter mais compromisso com o clube do que com o dinheiro?

Zetti: Não acho que seja problema. Isso é a realidade. Não dá para fazer comparações entre as épocas. Hoje é muito mais profissional? É. Se ganha mais dinheiro? Sim. Os atletas têm patrocínio, a imprensa tem mais dificuldade, hoje existe assessor de imprensa… As coisas mudaram e vão se moldando.

GE.Net: Você costuma dizer que achava espetacular ver a torcida em frente ao portão do Morumbi. Rogério Ceni concorda. Todo jogador sente isso?

Zetti: É emocionante, arrepia só de lembrar. Chegar na avenida em frente ao estádio e ver aquela multidão que vai estar lá te vendo jogar… Eu me sentia muito importante, me cobrava para não errar. Aquele trajeto até o vestiário era de muitas emoções, eu sabia que precisava estar muito ligado, muito atento, porque era muita gente ali. Essa adrenalina, que eu já não sinto há muitos anos, é muito gostosa. Sou um privilegiado por ter passado por isso.

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