Como Kelly Slater se mantém competitivo no mais alto nível do surfe aos 54 anos
Surfista 11 vezes campeão mundial superou brasileiro em Teahupo’o, palco da decisão entre os dois em 2014
Kelly Slater fez valer a chancela de maior campeão mundial de surfe nas ondas de Teahupo’o. Aos 54 anos, o surfista 11 vezes vencedor da competição foi convidado para participar da etapa da WSL no Taiti e não foi a passeio: conquistou duas das maiores notas na etapa para vencer a bateria contra o brasileiro Gabriel Medina e avançar às oitavas de final. Com somatório de 19,06 (9,7 e 9,33), superou o tricampeão que somou 16,10 (8,43 +7,67).
Medina saiu na frente na bateria anotando um 6,5 logo na sua primeira onda e depois chegou a um 11,33, contra Slater com apenas 1 ponto somado. O americano respondeu com um tubo que o rendeu um 7, chegando a 8 pontos, mas perdeu alguns minutos na sequência, pois sua prancha quebrou.
De prancha nova, ele conquistou a segunda maior nota da etapa, um 9,73. Apenas Griffin Colapinto, na bateria seguinte, recebeu nota maior, um 10. Na sequência, Slater surfou nova ótima onda e conquistou um 9,33 que o levou ao somatório vencedor. Medina melhorou suas notas, com um 7,67 e um 8,43, mas sem alcançar o adversário. Nas oitavas de final, Slater enfrentará o australiano Jack Robinson.
O confronto foi o 11º entre os surfistas, sendo apenas a terceira vitória do americano. Um dos duelos mais emblemáticos entre eles foi em 2014, na mesma etapa no Taiti, quando o brasileiro saiu com a vitória e o seu primeiro título mundial pela diferença de 0,03 no somatório das notas.
Além de Medina, os brasileiros Samuel Pupo, Yago Dora, Filipe Toledo e Mateus Herdy foram eliminados. Avançaram para as oitavas de final Miguel Pupo, Alejo Muniz, João Chianca e Ítalo Ferreira.
Longevidade multicampeã
Kelly Slater conquistou 11 títulos mundiais, o último deles em 2011. Ele se aposentou do circuito mundial de surfe, a WSL, em 2024, aos 52 anos, quando ficou fora da segunda metade do circuito entre os 32 melhores do ranking. Apesar da saída da competição integral, segue participando de etapas ao ser convidado, como o em Teahupo’o.
Aos 54 anos, a participação no Taiti marca sua terceira participação desde a sua saída da WSL. No ano passado, chegou ao quinto lugar na etapa do Havaí e a vitória contra Medina, atual 5º colocado no ranking mundial, comprovando sua longevidade de sucesso no esporte mesmo fora do circuito anual.
Em entrevista ao Ultimate Human Podcast em janeiro, Slater revelou que mudou seus hábitos de saúde quando comprou uma fita do veterinário e médico americano Joel Wallach.
“Ele começou a falar sobre como tinha feito umas 17 mil autópsias em animais, 3 mil autópsias em humanos. E ele disse: ‘Ninguém morre de velhice. Isso não existe. Você morre por causa de uma deficiência de alguma coisa ao longo de um longo período de tempo. Você desenvolve uma doença’”, relatou Slater.
“E eu fiquei tipo: ‘Uau, isso é fascinante.’ E eu já tinha me tornado campeão mundial naquela época, mas pensei: “Isso aqui é combustível para alimentar meu fogo. Eu realmente vou começar a cuidar da minha saúde.”
O surfista também revelou que se inspirou na família brasileira Gracie, que conheceu quando competia no Rio de Janeiro. “Comecei a ler sobre as dietas deles e eles falavam sobre combinação de alimentos. Então, comecei a pesquisar sobre isso”, disse o surfista. “E comecei a experimentar isso em mim mesmo e ver como me sentia, e percebi que tenho mais energia, durmo menos, digiro melhor e não tenho problemas estomacais. E, de certa forma, fiquei fascinado com a saúde e o corpo.”
Outra técnica que Slater comentou foi o uso de sauna e banhos gelados que ele brincou dizendo que é o “treino do homem preguiçoso”, já que ele consegue simular exercícios cardiorrespiratórios sem fazer uma atividade física muito exigente.







