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Wallid Ismail, o aprendiz de Dana White

"Ele é meu ídolo, procuro me espelhar nele", diz o dono do torneio Jungle Fight

“Como lutador era um doido, brigava com o mundo. Agora estou em uma fase mais tranquila”

Wallid Ismail,de 44 anos, entra de calça, malha de ginástica e mochila no saguão de um hotel de luxo em São Paulo. Parece estar preparado para entrar no ringue, mas deixou as lutas profissinais em 2003, e agora cuida do seu torneio de MMA, o Jungle Fight. Ismail lutou no UFC, no PRIDE, foi oito vezes campeão brasileiro de jiu-jitsu e já se envolveu em algumas confusões com rivais, como num bate-boca por telefone, em um programa de televisão, com Ryan Gracie. No seu cartel, uma vitória sobre um dos principais representantes do jiu-jitsu no mundo, Royce Gracie, ex-campeão do UFC. Além de tocar o torneio, também é empresário de lutadores.

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Com 1,72 metro, careca como Dana White, é impossível não associá-lo ao presidente do UFC, pelo menos visualmente. Mas as diferenças logo aparecem. Nas entrevistas, Dana White costuma beirar a grosseria com perguntas que considera sem graça e não economiza em resposta mal-educada. Ismail é mais calmo, mas parece cuspir as palavras, como Anderson Silva desfere golpes contra seus adversários. “Sou fã do Dana White. Ele inventou o esporte.” Nas noites de luta do Jungle Fight, ele atua de presidente, recebendo os convidados, é produtor, reclama quando não gosta de alguma coisa na transmissão, e fica possesso se um confronto não tem “emoção”.

Como surgiu o Jungle Fight? Eu lutava no Japão e meu manager, Antonio Inoki, um senador japonês, se preocupava com a natureza. Nasci no Amazonas e sugeri fazer um evento em Manaus, para chamar atenção para a região. O primeiro aconteceu em 2003, bateu o recorde de audiência em canal fechado no Brasil, com lutadores desconhecidos: Lyoto Machida e Fabrício Werdum, por exemplo. Quem investiu no primeiro Jungle Fight? A Konami, produtora de games, investiu 1 milhão de dólares. Mas já coloquei dinheiro para realizar uma noite de lutas, uma vez investi 300.000 reais. Sou doido demais… Em que momento o Jungle Fight se tornou um grande evento? Em 2009. O crescimento é impressionante, mais de 1000% ao ano. Temos contrato com o canal Combate no Brasil. Nos Estados Unidos, a ESPN 3 e a ESPN Deportes transmitem as lutas. O senhor como empresário é melhor que lutador? Não queria ser conhecido como empresário. Como lutador era um doido, brigava com o mundo. Agora estou em uma fase mais tranquila. Sou conhecido até no exterior como empresário e responsável por vários lutadores. O senhor já pensou em lutar no Jungle? Não. Agora sou empresário. Como é sua rotina no dia da luta? Vou à academia e depois acompanho os preparativos no ginásio. Sempre fico apreensivo, o tempo todo ligado em todos os detalhes, para evitar surpresas ruins. Qual sua relação com Dana White? Eu o conheci há muitos anos, antes do UFC. Hoje, é meu ídolo, inventou o esporte. Procuro me espelhar nele.