Vôlei: o impacto para a jogadora Tiffany do banimento de atletas trans pelo CBV
Confederação alegou alinhamento a diretrizes internacionais; Osasco São Cristóvão, clube da atleta, avalia normativa com departamento jurídico
Após entrar com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) em fevereiro deste ano contra a proibição da participação de atletas trans na fase final da Copa do Brasil de Vôlei Feminino, a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) atualizou sua política e, com a justificativa de seguir os critérios do Comitê Olímpico Internacional (COI), informou que apenas atletas do sexo biológico feminino poderão participar de competições. Com a medida, ocorre o banimento de jogadoras transexuais, o que impacta diretamente Tiffany Abreu, do Osasco São Cristóvão Saúde.
O comunicado foi divulgado nesta sexta-feira, 14, e se apresenta como um alinhamento à Política de Proteção da Categoria Feminina do COI, publicada em março desde ano e seguida pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e pela Confederação Sul-Americana de Voleibol (CSV).
“Com a mudança dos parâmetros internacionais e da responsabilidade institucional, a CBV buscou manter o alinhamento entre as regras que regem as competições nacionais com as hoje vigentes para as competições internacionais. A decisão da CBV se adequa ao COI e deixa nossos campeonatos equiparados com as competições internacionais.”, explicou, em nota, Radamés Lattari, presidente da CBV.
Com a decisão, as próximas competições da temporada 2026/2027 já serão norteadas pela nova política, caso da Superliga A e B (temporada 26/27), Supercopa 2026, Copa Brasil 2027, Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027 (adulto) e CBVP Challenger 2027.
Dessa forma, Tiffany, que soma mais de oito anos de atuação como atleta profissional, seria automaticamente excluída das competições. A jogadora de vôlei ainda não se manifestou nas redes sociais, mas o Osasco São Cristóvão Saúde emitiu nota informando que foi “surpreendido com a informação” e que a política “foi elaborada sem qualquer participação ou opinião prévia do clube”.
O comunicado destaca a trajetória de Tiffany dentro e fora das quadras e afirma a normativa será avaliada junto ao departamento jurídico do clube para definição dos próximos passos.
“O clube reafirma seu integral apoio a Tifanny neste momento e reforça seu compromisso permanente com o respeito e a valorização de todas as pessoas que fazem parte da sua história.”
Como será feita a triagem das atletas
O comunicado do CBV explica que a verificação do sexo biológico das atletas será feita por testagem e triagem do gene SRY. O exame pode ser feito por meio de amostras de sangue ou do material coletado da mucosa bucal com um tipo de cotonete.
“A coleta de material é feita de forma pouco intrusiva e altamente precisa”, explicou o médico João Olyntho, presidente do Conselho de Saúde do Voleibol.







