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Valdir de Moraes atesta dignidade de Marcos após barrá-lo em 1996

O ex-goleiro Marcos só virou titular absoluto do Palmeiras em 1999, mas sua trajetória como dono da posição poderia ter iniciado três anos antes. Por conta de uma lesão de Velloso em 1996, o então reserva assumiu a meta alviverde e conseguiu se destacar até para ser convocado para a Seleção Brasileira.

Porém, quando o titular terminou a recuperação no departamento médico, o preparador de goleiros da época, Valdir Joaquim de Moraes, precisou tomar a decisão de barrar a sequência daquele que se tornaria mais tarde um dos maiores ídolos do clube.

‘O Velloso estava em uma forma espetacular, mas, em um treino de dois toques, ele se chocou com o Marcos e quebrou a perna. O Marcos era o imediato e foi para o time. Depois de alguns jogos, ele foi convocado para a Seleção, mas o Velloso se recuperou. E eu fiquei em um dilema, porque o Velloso tinha feito um campeonato extraordinário’, recorda Valdir de Moraes, em entrevista à GE.Net.

Desta forma, contando com a confiança do treinador da época, Vanderlei Luxemburgo, o preparador de goleiros tomou a decisão de recolocar o titular e sacar Marcos da equipe.

‘Eu me sentei no campo com os dois e disse que teria de tomar uma decisão difícil. Expliquei que a opção era só minha e que tinha decidido a volta do Velloso. Eu esperei para ver qual seria a reação do Marcos, mas ele se levantou, me deu a mão e disse que faria a mesma coisa. Eu falei que ele era um homem digno e que faria sucesso na vida’, comenta.Mesmo com uma longa carreira no futebol, Valdir Joaquim de Moraes se surpreendeu com a atitude do ex-atleta. ‘Eu pensei que talvez ele pudesse ter outra reação, o que seria normal. Mas ele me mostrou a personalidade que teria no futuro. Eu não olho só o lado físico, e sim o humano. E ele foi muito humano comigo e com o Velloso’.

No ano seguinte, o preparador deixou o Verdão (retornou em 2008) e passou pelo rival Corinthians. Antes disso, no início da década de 1990, Valdir também trabalhou no São Paulo, participando ativamente do aperfeiçoamento de Rogério Ceni no começo da carreira.

Mas, mesmo conhecendo em detalhes Marcos e Rogério, o ex-goleiro se recusa a traçar qualquer comparação entre os dois. ‘Jamais eu falaria sobre isso. Eu analiso o gol por detalhes. Cada um tem seu estilo e suas características. A soma dos dois dá quase a perfeição’, conclui.