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Valcke chega para ‘último round’ da batalha da Copa-2014

Cartola francês mudou seu roteiro no país para tentar resolver de vez a questão das instalações temporárias, consideradas essenciais para o sucesso da festa

Por Da Redação 24 mar 2014, 11h29

Na sexta, o francês disse que esperava uma resolução das pendências até o fim desta semana. Na realidade, porém, ele quer a definição do plano de ação para São Paulo e Porto Alegre no máximo até terça

Faltando 80 dias para o pontapé inicial da Copa do Mundo, a Fifa e o país-sede iniciam nesta segunda-feira uma rodada de reuniões decisivas para encaminhar as pendências finais para o megaevento. O secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, desembarcou no Brasil pela manhã e postou uma mensagem no Twitter: “É bom estar de volta. Junto com o Comitê Organizador Local (COL) e o Brasil, encontraremos soluções para os desafios que restam. Nosso objetivo é oferecer a melhor experiência aos torcedores que aproveitam a festa aqui no Brasil ou pela TV.” Os “desafios que restam” são as estruturas temporárias no entorno dos estádios que receberão as partidas do Mundial, consideradas pela Fifa um elemento absolutamente essencial para garantir o sucesso do evento – até porque influenciam diretamente na transmissão dos jogos, na experiência dos torcedores e convidados e na promoção dos patrocinadores que pagam fortunas para ligar suas marcas à Copa. Hoje, essas instalações temporárias representam o desafio derradeiro do país-sede antes da abertura do torneio – e, por causa de um jogo de empurra em torno dos custos milionários desses serviços, consistem na última queda-de-braço entre Fifa e os donos dos estádios.

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Sedes rasgam os contratos – e arranham imagem da Copa

Para as cidades-sede, construir estádios no padrão exigido pela entidade foi só a primeira etapa da empreitada para receber as partidas da Copa. Com as obras enfim concluídas (ou, no Itaquerão e na Arena da Baixada, numa corrida contra o tempo), começa uma outra etapa, também fundamental. Por causa da complexidade do evento, cada arena precisa de um enorme aparato de serviços ao redor do jogo, em áreas como segurança, tecnologia da informação, hospitalidade e mídia. Ao tuitar sobre a preocupação com “a melhor experiência aos torcedores” no estádio e ao redor do mundo, Valcke ressalta que não adianta nada ter um estádio novíssimo e perfeito se esse local não tiver todas as estruturas provisórias necessárias para receber os torcedores com serviços de qualidade, possibilitar a transmissão das partidas com a melhor qualidade de imagem possível e realizar uma operação irretocável no evento que rende à Fifa uma montanha de dinheiro. Nos últimos meses, a entidade passou a se preocupar com dois aspectos: primeiro, o tempo exíguo para a montagem das estruturas, cujo prazo ideal é de 90 dias (em sedes como São Paulo e Curitiba, esse tempo já não está mais disponível), e segundo, a definição de quem vai pagar a conta.

Quando o contrato para a construção dos estádios foi assinado, não estava claro quem deveria arcar com a instalação das estruturas que serão usadas apenas durante o torneio. Mas uma mudança feita em fevereiro de 2009 definiu que os custos seriam pagos pelos donos dos estádios. Como nove arenas pertencem a governos estaduais, e em ao menos um dos três estádios privados (o de Curitiba) o poder público já concordou em arcar com o prejuízo, o resultado será uma despesa extra de cerca de 400 milhões de reais com o torneio. Se a sede paranaense resolveu seu impasse, a preocupação continua no Itaquerão e no Beira-Rio. Corinthians e Internacional não querem bancar as despesas sozinhos, ainda que admitam que assinaram os termos que determinam que cabe a eles entregar as instalações provisórias. A visita iniciada nesta segunda teve sua agenda completamente alterada justamente por causa dessa negociação. Pelo plano original, Valcke viria ao país para uma nova rodada de inspeções aos estádios. Ele adiou essas visitas porque acha que a prioridade, no momento, é desenrolar o caso das estruturas temporárias. O cartola quer a elaboração de um cronograma detalhado, que garanta que tudo estará pronto.

Na sexta, o francês disse que esperava uma resolução das pendências até o fim desta semana. Na realidade, porém, o representante da Fifa espera a definição do plano de ação para São Paulo e Porto Alegre no máximo até terça. “Disseram que na noite da segunda ou na terça devo receber informações positivas sobre a situação dessas duas cidades”, afirmou. No caso do Itaquerão, espera-se um relato detalhado da instalação das estruturas, com dados como quais empresas farão os serviços e quais são os prazos de entrega. O valor total dos trabalhos está estimado em pelo menos 42 milhões de reais, mas pode chegar a até 60 milhões. O Corinthians busca parceiros para dar conta das despesas. As reuniões envolvendo Valcke e os organizadores brasileiros se estendem até a quinta-feira, quando o francês deverá conceder uma entrevista coletiva para fazer um balanço de sua nova passagem pelo país. Além da questão das estruturas provisórias, Valcke deverá participar de conversas sobre os preparativos operacionais nas doze sedes. Uma equipe de inspetores da Fifa e do COL tem visitado vários estádios desde a semana passada. Nesta segunda, eles estão em Manaus, para examinar a Arena da Amazônia.

(Com Estadão Conteúdo e agência EFE)

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