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Vaias abrem caminho para Luiz Gustavo ganhar fama e vaga na seleção

Por Da Redação 26 jul 2011, 09h30

Após o fracasso na Copa América-2011, o técnico Mano Menezes busca alternativas para melhorar a produção da seleção brasileira. Na convocação desta segunda-feira para o amistoso do dia 10 de agosto contra a Alemanha, o treinador optou por um nome praticamente desconhecido do torcedor: o volante Luiz Gustavo, do Bayern de Munique.

Natural de Pindamonhangaba, no interior paulista, o atleta segue a linha daqueles que tiveram a vida cercada de dificuldades até conseguir um lugar ao sol. Mas uma curiosidade consta no caminho do meio-campista. Empresário responsável por sua contratação pelo Hoffenheim, Thomas Federspiel teve a certeza em indicá-lo depois de uma partida em que Luiz Gustavo foi vaiado impiedosamente pela torcida do CRB-AL, na derrota em casa para o Santo André, pela Série B do Brasileirão de 2007.

‘O Luiz Gustavo provou ser um jogador de caráter. O técnico o tirou de campo naquele jogo e, três dias depois, ele colocou na cabeça e disse que faria um jogão contra o Fortaleza. E fez mesmo. Depois, entendi o motivo das vaias: tinha vazado a notícia do interesse do futebol alemão’, explica o agente, na época olheiro oficial do Hoffenheim.

Luiz Gustavo já vinha no raio de observação de Thomas Federspiel desde a rodada anterior da competição nacional. Aliás, o jogador estava na segunda passagem pelo CRB. Com 17 anos, depois de dois testes sem sucesso no Santos e abalado pela recente morte da mãe que quase o tirou do futebol, ele realizou uma peneira em São Paulo que o levou a Maceió. Inicialmente, o jogador não vingou.

Em seguida, partiu para o Corinthians Alagoano e também demorou a ganhar oportunidades. Chegou a atuar pelos desconhecidos Ipanema e Universal Futebol Clube. De volta ao Timão da Vila Expressa, percebeu que teria de se esforçar para vencer na vida profissional.

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O presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians-AL, João Feijó, conta que Luiz Gustavo seguiu à risca a advertência de pessoas mais velhas para ganhar espaço no futebol. ‘Ele passou a treinar sozinho. Seu chute não tinha direção, então ele pegava a bola e treinava as finalizações de longe, sem ninguém no campo. O trabalho deu certo. Lá na frente, ele foi destaque no campeonato aqui com seis gols’, recorda o dirigente, que foi além. ‘Quando chegou ao nosso clube, ninguém o valorizava. Depois, nós o oferecemos a Atlético-MG e Cruzeiro, que também não quiseram’.

Aqueles que conviveram com Luiz Gustavo acreditam que a maior virtude deste desconhecido é a simplicidade. ‘Ele sempre foi uma pessoa séria e trabalhadora’, conta João Feijó, que tem o mesmo discurso de Thomas Federspiel. ‘Era um jogador que ninguém acreditava, não teve nenhum clube de expressão que se preocupou em observá-lo. Trata-se de um atleta simples e, ao mesmo tempo, eficiente, era o perfil que procurávamos na época para o Hoffenheim’, completa o empresário.

Ao Corinthians de Alagoas, Luiz Gustavo trouxe lucros importantes na negociação em definitivo com o Hoffenheim. O clube – que já teve o zagueiro Pepe (atualmente no Real Madrid, da Espanha) e o meia Deco (do Fluminense) em seu elenco – lucrou cerca de R$ 3 milhões com o volante convocado por Mano Menezes à seleção brasileira.

Desde o início do ano, Luiz Gustavo defende o poderoso Bayern de Munique, uma das potências do futebol europeu, com contrato assegurado até 30 de junho de 2015. Nesta nova transação, seus direitos já custaram R$ 33 milhões. Segundo Thomas Federspiel, a badalação de jogar no gigante alemão não mudou a postura do atleta.

‘Ele sabe que não é um craque. Sua maior virtude na Alemanha foi se interessar pela língua, pela cultura, procurou entender o que os alemães queriam, ao contrário de alguns brasileiros que vão para lá e têm a mesma postura de quando estavam no Brasil. Ninguém fala mal dele por lá’, encerra o empresário, que atualmente é o olheiro oficial do Bayer Leverkusen.

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