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Vai, Robben!

É difícil alguém se declarar torcedor de futebol aos três anos de idade, mas há registros meus comemorando o gol de Jairzinho contra a Inglaterra na Copa de 70. De lá para cá, a seleção brasileira disputou onze Mundiais.

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Em todos esses momentos, torci por vitórias. Uma ou outra vez desejei empates para fugirmos de “grupos da morte”. Desempenhei meu papel de Pacheco pragmático, nada além disso, portanto.

Pois no sábado torcerei a valer para a… Holanda. Vai, Robben! Será uma torcida especial, até porque não quero uma derrotinha. Sonho com goleada e olé. Requintes de maldade. Será a primera vez em 44 anos de torcedor juramentado que virarei a casaca. Na realidade, não faço isso por despeito, raiva ou vingança. Não quero uma derrota para punir os jogadores que falharam e o treinador que faltou. Estamos fora da Copa, 7 a 1, humilhação, já foi. Estou mais interessado no que vem pela frente.

E, nesse aspecto, fiquei absolutamente assustado com a entrevista coletiva que os sete integrantes da comissão técnica deram no dia seguinte ao desastre. Sete, parece até deboche! Seguiram batendo na tecla do acidente e do apagão. As palavras de Felipão e Parreira deram a perfeita noção de que o trabalho continua sem grandes mudanças. Ninguém pediu desculpas verdadeiras nem demissão. Segue o jogo.

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Aí não. Vai, Robben! Pelo jeito, a única forma de termos uma mexida é com um novo desastre. Se o preço a pagar por isso é com uma nova derrota vexatória, eu pago, a contragosto. Torço contra mim mesmo. A solução ideal, já pedida por muitos, seria uma varrição total no futebol brasileiro. De cima para baixo. Trocar os velhacos que dirigem o futebol brasileiro por profissionais. Quem comanda a delegação alemã na Copa é Oliver Bierhoff, um ex-jogador que se especializou em gerenciar futebol e trabalha nisso há dez anos. Quem comandou a delegação brasileira foi um dirigente da federação catarinense. Na CBF, chefiar a delegação é um prêmio por bons serviços políticos prestados. E nada mais. O ideal seria varrer a corja que expulsou o capitão Cafu do vestiário após os 7 a 1. Cafu tinha ido consolar os mais garotos.

O presidente da CBF mandou retirar do vestiário “pessoas estranhas” à delegação. Tudo muito estranho mesmo. O ideal seria profissionalizar tudo. Mas, sejamos realistas, a turma não largará o osso. O futebol deveria mudar de cima para baixo, só que isso não acontecerá. A troca de comissão técnica, por si só, não tem poder revolucionário, “malemale” é um ponto de partida.

Começo necessário. Ideal seria trazer alguém diferente, de fora, que esteja disposto a enfrentar moinhos. Alemão, espanhol, argentino, francês, belga, chileno, tem gente boa por aí fazendo bons trabalhos.

Antes, porém, precisamos que os atuais liberem as mesas e entreguem as chaves dos armários. Perderam a chance de fazer isso de maneira elegante e honrada após os 7 a 1. Agora precisamos de você, Robben. Vai, Holanda!