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Uniforme completo do Brasil na Olimpíada será vendido a partir de maio

Além da camisa social estampada e da bermuda caqui para os homens e das chemises para as mulheres, outros 30 itens estarão disponíveis na loja da Wöllner

Por Jana Sampaio - Atualizado em 8 mar 2020, 11h26 - Publicado em 8 mar 2020, 11h15

A cada quatro anos, os olhos do mundo se voltam às competições olímpicas de mais de trinta modalidades. Na edição de 2020, mais cinco esportes, incluindo o surf e o skate, cujos atletas compartilham de um perfil mais despojado, estrearão na Olimpíada. Diante de uma delegação tão numerosa e diversa, poderia haver uma miscelânea de estilos no desfile de abertura marcado para o dia 24 de julho – caso a epidemia de coronavírus na Ásia não atrapalhe os planos do Comitê Olímpico Internacional (COI) e altere o local dos jogos. Por isso mesmo é celebrada a apresentação dos esportistas com um uniforme que sintetize a cultura nacional e valorize os mais diferentes corpos que o vestirão – e que no caso dos brasileiros vai do 3P (que corresponderia ao tamanho 32) ao 5G (abarcando quem veste mais de 48).

A grife escolhida para o desafio foi a carioca Wöllner e a apresentação da camisa foi feita pelo ginasta Arthur Nory nas redes sociais, com pompa e circunstância próprias dos tempos ultraconectados, antes mesmo do anúncio oficial do Comitê Olímpico Brasileiro. “A cerimônia de abertura é a oportunidade de mostrar nossa identidade para o mundo. Escolhemos a marca porque não queremos nos restringir às prateleiras de esporte e sim vender o estilo do Time Brasil”, explica Manoela Penna, diretora de comunicação e marketing do COB. Com traços japoneses, uma homenagem ao país sede, a estampa traz o peixe amazônico pirarucu, além de folhas de bananeira, espada de São Jorge, orelha de elefante, palmeira, alocasia e heliconia. “Fizemos um trabalho de pesquisa e propusemos ao COB três estampas que, de alguma maneira, tivessem relação com a cultura nipônica. Para nossa sorte, o Comitê escolheu a que mais agradou a equipe”, disse Lauro Wöllner, de 59 anos, fundador da marca e, claro, atleta.

Além de precisar atender alguns critérios, como produzir uma roupa que fosse alegre, respeitasse o clima úmido e quente do verão japonês e exaltasse a cultura dos anfitriões, a marca precisou lidar com um prazo curto para desenvolver a estampa e os modelos masculino e feminino. A parceria foi fechada no fim de dezembro e, desde então, a Wöllner trabalha com um calendário desenvolvido especificamente para atender a demanda do Time Brasil e, de quebra, produzir uma coleção cápsula a ser vendida a partir de maio em seu site e loja física. Essa será a primeira vez que o uniforme e outros itens de vestuário, como casaco, camiseta e boné serão disponibilizados ao público. Quem quiser vestir o look masculino, por exemplo, terá que desembolsar 269 reais para a camisa social e 259 reais para comprar a bermuda caqui. Já a chemise feminina sai por 299 reais.

Uniforme da Seleção Clube Mídia/VEJA

Na internet e fora dela, as reações à camisa oficial foram variados e houve quem considerasse o visual informal demais para a cerimônia. “Já passamos da fase do uniforme esportivo e é interessante observar a evolução do estilo brasileiro para algo que esteja à altura do evento. O uso de uma estampa que não seja a bandeira nacional é positivo, mas o excesso de informação gráfica pode fazer com que haja necessidade de explicar seus simbolismos”, pondera a consultora de moda Iesa Rodrigues. Quanto ao look feminino, a especialista em moda Paula Acioli considera que ainda falta uma dose de alfaiataria ao modelo. “Vestidos estampados passam descontração e jovialidade, mas poderiam receber alguns toques de alfaiataria, para completarem um look mais contemporâneo”, sintetiza. Apesar das pontuais críticas, Manoela garante que o COB ficou satisfeito com o resultado. “Sempre vai existir alguém que não goste da estampa, mas recebemos vários comentários positivos sobre o novo uniforme. Não necessariamente as pessoas vão usar essa roupa no dia a dia, mas ela ajuda a passar uma mensagem importante de valorização da fauna e da flora brasileiras”, afirma. Agora, é torcer para que os atletas brasileiros façam bonito na cerimônia e nas competições.

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