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Um torneio só para VIPs e seus cavalos espetaculares

Athina Onassis International Horse Show vai pagar prêmios de 3,5 milhões de reais

São 12 000 metros quadrados, 1 100 profissionais envolvidos e 45 dias de montagem. Cada competidor traz dois cavalos, o que significa a presença de 216 animais e uma logística complicadíssima (e cara) de transporte

A Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona Sul do Rio de Janeiro, servirá de cenário, nos próximos dias, para uma dos torneios mais badalados do hipismo mundial. Entre quinta-feira e sábado, a Sociedade Hípica Brasileira recebe o Athina Onassis International Horse Show (AOIHS) 2010, a etapa brasileira do Global Champions Tour (GCT). Em disputa, estão o título da última etapa do circuito mundial e premiações que totalizam mais de 1,6 milhão de euros (aproximadamente R$ 3,5 milhões).

São 55 competidores na categoria internacional, que terá cinco provas. Outros 53 atletas disputam a categoria amadora, formada quase que exclusivamente por brasileiros – a exceção é a convidada especial Charlotte Casiraghi, filha da princesa Caroline de Mônaco. Entre os profissionais, o Brasil será representado com nomes de peso como Álvaro de Miranda Neto (Doda), Rodrigo Pessoa, Bernardo Alves, Luiz Felipe de Azevedo Filho e Pedro Veniss, entre outros. Na lista de estrangeiros, figuram a amazona Athina Onassis de Miranda (que dá nome ao evento), os alemães Daniel Deusser e Marco Kutcher, além da australiana Edwina Alexander.

Os organizadores acreditam que, por tratar-se de um evento cinco estrelas, de grande porte, com a chancela da Federação Eqüestre Internacional, o AOIHS funcionará como uma espécie de preparação para os Jogos Olímpicos de 2016. O empresário Rodrigo Rivelino, filho do jogador tricampeão do mundo, e presidente da Aktuell, conta que já é possível mensurar o impacto do torneio no hipismo brasileiro. “Temos um dado da Federação Paulista de Hipismo de que, entre 2007 e 2008, o esporte apresentou um crescimento de 17%. Isso foi apenas um ano após a nossa estreia”, lembra Rivelino.

Logística – O idealizador do AOIHS é o medalhista olímpico brasileiro Doda Miranda – bronze em Atlanta (1996) e Sidney (2000) -, casado há quase 4 anos com bilionária Athina Onassis, a única neta do magnata grego Aristóteles Sócrates Onassis (1906-1975). Depois de três anos de negociações, Doda conseguiu aprovação para realizar uma das etapas do GCT no Brasil. Alguns números dão a dimensão do evento. São 12 000 metros quadrados, 1 100 profissionais envolvidos e 45 dias de montagem. Cada competidor traz dois cavalos, o que significa a presença de 216 animais e uma logística complicadíssima (e cara) de transporte. Serão gastos 2,3 mi­lhões de reais só no transporte aéreo dos animais.

O tratamento é de primeira classe. Acompanhados de veterinários e instrutores, os bichos chegam a usar mantas magnéticas antiestresse durante o voo. Pela estada de uma semana aqui, o seguro de cada um deles não sai por menos de 220 000 reais. “É difícil você encontrar um evento tão bom no mundo inteiro. Talvez, exista um ou dois no mesmo nível. O que fiz desde o início foi exigir um padrão de qualidade muito alto. Passei dois anos anotando num caderno o que eu gostava e não gostava nos maiores eventos do mundo”, conta o brasileiro.

As duas primeiras edições do torneio aconteceram em São Paulo, em 2007 e 2008. Por conta da candidatura do Rio a sede das Olimpíadas, o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes jogaram pesado para atrair o evento apra o Rio. Este ano, dos 14 milhões de reais investidos para a realização do AOIHS, cerca de 12 milhões terão origem em recursos públicos. A maior parte do montantevirá como incentivo fiscal, através de abatimento no ICMS das empresas patrocinadoras. Além disso, o governo do estado e a prefeitura do Rio liberaram, cada um, R$ 2 milhões.

Este ano, a organização decidiu tirar partido também da plateia endinheirada e chique que lotará a Hípica por três dias. O evento será uma “plataforma de entretenimento”, que engloba, além do hipismo, moda, música e gastronomia.

Até o momento, tudo está dentro do previsto. O único percalço foi a escolha do hotel. Todos os cavaleiros e amazonas estrangeiros e oriundos de outros estados estão hospedados no Hotel Intercontinental, que, no último sábado, ganhou destaque no noticiário mundial ao ser invadido por um grupo de dez traficantes. A organização do torneio teve que emitir um comunicado aos atletas, tranquilizando-os e afirmando que tudo não passou de um episódio isolado.