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Um “parça” na mira da PF

O vasto círculo social do atacante Neymar, com amigos para tudo, agora inclui um empresário acusado de tráfico internacional

O vasto círculo social de Neymar, com amigos para tudo, os “parças”, agora inclui um acusado de tráfico internacional. O empresário Bruno Lamego Alves exibia nas redes sociais a sua proximidade com o jogador em viagens por Paris, em jogos da seleção e em duas festas de aniversário do craque — tanto na mais badalada como na reservada aos mais íntimos. Em um vídeo no Instagram de dezembro de 2018, ele aparece rindo ao levar um chute de Neymar como “castigo” por ter perdido no truco. Em 28 de maio, Alves foi surpreendido com a Polícia Federal batendo à sua porta. Foi preso por ter intermediado um carregamento de 760 quilos de cocaína que seria enviado à Bélgica pelo Porto de Santos.

A PF já está acostumada a flagrar contêineres repletos de drogas no porto, o maior da América Latina — só em 2019, já foram apreendidas mais de 10 toneladas. Mas o esquema que Alves é suspeito de ter montado chamou atenção pela engenhosidade. VEJA teve acesso a parte do inquérito. O documento relata que o empresário procurou, em 2017, uma grande produtora de milho do Paraná para exportar fubá para a Europa. Teria se passado por um holandês chamado Robert Nuur, representante de uma importadora. A proposta era sedutora — introduzir o então desconhecido fubá no mercado europeu —, e os executivos da empresa brasileira não parecem ter percebido as inconsistências do negócio. A carga deveria ser escoada por Santos, e não pelos portos paranaenses. O holandês fajuto pagou tudo conforme o combinado, 88 000 reais em nove depósitos em caixas eletrônicos. Colocada entre os sacos de farelo de milho no meio do trajeto para Santos, a droga passou pelos scanners do porto, mas os fiscais da Receita desconfiaram do arranjo dos sacos e abriram os contêineres.

A PF chegou a Alves porque os e-mails enviados à empresa de milho saíram do seu celular. Ele disse aos agentes que foi vítima de uma armadilha, montada por um estrangeiro que se chamava, de fato, Nuur. “Ele inventou essas histórias”, diz a delegada Fabiana Lopes. A Justiça viu indícios para mantê-lo preso preventivamente. As fotos das redes sociais, que também incluem outro esportista famoso, o surfista Gabriel Medina, foram apagadas. Mas o advogado Ricardo Ponzetto considera que elas são em parte a razão da prisão: “Meu cliente tem uma vida social intensa com personalidades. A prisão ocorreu só para constrangê-lo. É claro que daria repercussão”.

Publicado em VEJA de 12 de junho de 2019, edição nº 2638

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