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Um ano depois, CBF ainda não cumpriu ordem da Fifa sobre relógios de luxo

Entidade distribuiu presentes a cartolas durante a Copa do Mundo, o que é proibido. Valor dos itens de luxo deveria ter sido destinado a instituições de caridade

Um ano depois de distribuir relógios de luxo avaliados em mais de 5 milhões de reais de forma ilegal a cartolas, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ainda não cumpriu as ordens da Fifa de recuperar o dinheiro e destiná-lo a ONGs para ser utilizado em programas sociais.

A CBF deu 65 relógios a dirigentes esportivos estrangeiros que estiveram no Brasil durante a última Copa do Mundo, alegando se tratar de um presente em comemoração aos 100 anos de história da seleção brasileira. No entanto, a entrega dos mimos fere o Código de Ética da Fifa,, que estabelece que este tipo de agrado tenha apenas “valor simbólico”. A Fifa, então, abriu um processo e ordenou que os dirigentes devolvessem as peças até o dia 24 de outubro do ano passado e que a CBF fizesse uma doação no valor correspondente a instituições de caridade no país.

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Até o momento, porém, nenhuma associação voltada para caridade, ONG ou programa social no Brasil foi beneficiado. Fontes dentro da CBF indicam que a entidade optou simplesmente por devolver os relógios para a fabricante, a Parmigiani, uma das patrocinadoras da seleção brasileira. Na empresa suíça ninguém confirma que as peças tenham sido devolvidas.

A assessoria de imprensa da CBF informou apenas que o caso “está com a Fifa”. A entidade que regula o futebol mundial, por sua vez, não comentou o assunto, sob a alegação de que o caso ainda está sob investigação no Comitê de Ética. No total, a Fifa estimou que os relógios presenteados chegariam ao valor de 1,6 milhão de francos suíços, cerca de 5,3 milhões de reais. Já a CBF diz que comprou os relógios por 1,3 milhão de reais – cada um teria custado 9.000 dólares, mas, de acordo com a investigação, o preço de mercado do produto de luxo era de 27.000 dólares.

(com Estadão Conteúdo)