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UFC 152: Jon Jones castiga Belfort e mantém seu cinturão

Americano lança série quase interminável de socos e cotoveladas no brasileiro, que passou quase a luta toda no chão, controlado pelo campeão, e foi finalizado

O brasileiro chegou ao fim do primeiro round coberto de sangue. Belfort chegou a ser examinado pelo médico antes de voltar para o segundo assalto

Vitor Belfort chegou com mais experiência, mais apoio e muito menos responsabilidade para o duelo contra Jon Jones, neste sábado, em Toronto, no Canadá, pelo UFC 152. Mas isso não foi o bastante para o brasileiro superar o fenômeno americano, que segue sendo o campeão dos meio-pesados. Jones, que aceitou colocar o cinturão em disputa contra Belfort mesmo sabendo que o carioca não era o lutador mais indicado para reivindicar o título, venceu por finalização no quarto round. Como não vinha lutando nessa categoria (estava entre os médios), Belfort não tinha nada a perder e agarrou a oportunidade de tentar buscar o cinturão ainda que não pudesse cumprir um período adequado de treinamento – foi chamado para o duelo depois que Dan Henderson, o adversário original de Jones, se machucou nos preparativos para o desafio contra o campeão. Mesmo contando com o apoio da torcida, que gritou seu nome e vaiou o detentor do título, Belfort não suportou a pressão do americano, que levou a luta para o chão logo no início, se desvencilhou de uma tentativa de imobilização e castigou o brasileiro com socos e cotoveladas no rosto.

UFC 152

Assista à entrevista dos lutadores (em inglês)

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Apesar de ter ficado acuado pelo oponente, Vitor Belfort teve uma chance preciosa de conquistar o cinturão ao prender o braço de Jones logo no início da briga. O americano sentiu o golpe e ficou em situação delicada, mas escapou – e, a partir daí, dominou. O veterano chegou ao fim do primeiro round coberto de sangue (chegou a ser examinado pelo médico antes de voltar para o segundo assalto). Para evitar uma repetição da série de golpes sofrida no início da luta, Belfort manteve Jones à distância no round seguinte. Nos dois minutos finais, porém, o americano voltou a ficar sobre o brasileiro no solo, dominando o duelo mais uma vez. Logo no primeiro minuto do terceiro assalto, Jones acertou um chute no abdome de Belfort. O brasileiro sentiu e caiu ao chão, permitindo que o campeão voltasse a assumir a posição de controle no combate. Para desespero de Belfort, Jones tinha a chance de desferir os golpes que são a especialidade do campeão, as cotoveladas, machucando o rosto e o pescoço do desafiante. Finalmente, no quarto assalto, depois de uma rara sequência de golpes encaixada por Belfort, a luta voltou ao chão e Jones enfim conseguiu encerrar o duelo, finalizando o brasileiro com uma chave de braço.

Agora, Jones segue soberano entre os meio-pesados – e, além de Henderson, só Lyoto Machida e talvez o falastrão Chael Sonnen (que subiu de categoria de peso após ser derrotado por Anderson Silva) aparecem como possíveis candidatos a tentar destroná-lo. É a quarta vez consecutiva que Jones defende seu cinturão – e a quinta vez seguida que ele ganha de um lutador que já foi campeão do UFC (confira no quadro abaixo). Ao final da luta, ele reconheceu que a chave de braço aplicada por Belfort logo no início quase o surpreendeu. “Ele me pegou de um jeito que nunca senti, mas tinha trabalhado duro demais para desistir tão rápido”, contou. Jones revelou que temeu sofrer uma fratura. “Achei que meu braço ia quebrar, mas continuei. No resto da luta, senti o braço um adormecido. Mas a cabeça mandava continuar batendo e eu soltei a mão.” Jones elogiou o desempenho de Belfort e mostrou seu respeito pelo brasileiro ao abraçá-lo depois do combate. Belfort, que deixou o octógono aplaudido, disse que sentiu que estava próximo de quebrar o braço de Jones no golpe encaixado no primeiro assalto. “Mas ele é um cara durão”, afirmou. Apesar da derrota, o brasileiro terminou sua participação no UFC 152 com frases de efeito, bem ao seu gosto: “Não devemos ter medo de nada. Somos todos leões e foi isso que eu mostrei aqui.”

Título inédito – Na segunda luta mais importante da noite, o UFC 152 assistiu à primeira decisão de cinturão dos pesos-mosca, para lutadores de até 56,7 quilos. A categoria dos “baixinhos” – na média, não passam dos 1,60 metro – é nova na maior franquia de MMA do planeta. E o primeiro campeão é americano: Demetrious Johnson, de 26 anos, que derrotou seu compatriota Joseph Benavidez, de 28, por decisão dividida dos juízes. Numa luta franca e disputada, com troca de golpes muito velozes, Johnson começou melhor. Benavidez equilibrou o duelo no segundo round mas voltou a sofrer com a rapidez de Johnson no terceiro. No quarto assalto, a luta foi para o chão pela primeira vez. No último e decisivo round, Johnson, em melhor condição física, foi superior e garantiu a vitória. Um pouco antes, o britânico Michael Bisping superou o americano Brian Stann por pontos na categoria dos médios (um resultado que pode colocar Bisping na fila para encarar Anderson Silva numa futura disputa de cinturão) e o americano Matt Hamill derrotou o canadense Roger Hollett, entre os meio-pesados, por decisão unânime.

Dois lutadores brasileiros subiram ao octógono antes dos combates mais aguardados da noite. Abrindo o card principal na noitada de lutas canadense, Charles “do Bronx” Oliveira foi nocauteado pelo americano Cub Swanson em um combate da categoria pena. Do Bronx, de 22 anos, vinha de duas vitórias consecutivas, mas não resistiu aos golpes do americano. A luta, aliás, aconteceu com peso combinado, pois Oliveira não conseguiu ficar no limite da categoria. O esforço para baixar o peso pode ter prejudicado seu desempenho neste sábado, fazendo o brasileiro já entrar para o combate desgastado. No duelo anterior, que fechou o card preliminar, Vinny “Pezão” Magalhães derrotou o croata Igor Pokrajac entre os meio-pesados, aplicando uma chave de braço no segundo assalto. Finalista do reality show The Ultimate Fighter em 2008, quando perdeu para Ryan Bader na grande decisão, Magalhães retornou ao UFC depois de passar um período lutando fora da franquia. Conhecido no país por ter ajudado Chael Sonnen a se preparar para o duelo contra Anderson Silva em Las Vegas, ele usou sua especialidade, o jiu-jitsu, para superar o croata, que era favorito.

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Nos combates anteriores, três canadenses fizeram a festa do público na Air Canada Centre. TJ Grant foi um deles: o lutador superou Evan Dunham por decisão unânime dos juízes, em uma briga entre pesos leve. Com o apoio da torcida, o também canadense Sean Pierson derrotou o americano Lance Benoist por decisão dos juízes, num duelo da categoria meio-médio. Jimy Hettes sofreu a primeira derrota de sua carreira no duelo contra Marcus Brimage, por decisão dos juízes, numa luta entre pesos-pena. O americano Seth Baczynski superou o norueguês Simeon Thoresen por nocaute, no primeiro round. Lutando em casa, o canadense Mitch Gagnon finalizou o americano Walel Watson, pelos pesos-galos, no assalto inicial. E na primeira luta da noite, Kyle Noke nocauteou Charlie Brenneman em combate da categoria meio-médio.

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