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Uefa pede renúncia de Blatter e declara apoio a opositor

Michel Platini pediu pessoalmente para que o presidente da Fifa deixe o cargo após revelação de corrupção. Candidato à reeleição, Blatter rejeitou conselho do francês

O escândalo de corrupção que culminou na prisão de dirigentes e empresários ligados à Fifa pode afetar diretamente a eleição presidencial da entidade, marcada para esta sexta-feira. Antes favorito disparado à reeleição na disputa com o príncipe jordaniano Ali Bin Al Hussein, Joseph Blatter perdeu um apoio importante: o presidente da Uefa, Michel Platini, revelou nesta quinta-feira em Zurique que a maioria dos associados da federação europeia retirou seu apoio à candidatura de Blatter. O ex-jogador francês ainda pediu pessoalmente ao dirigente suíço que renuncie ao cargo que ocupa desde 1998 e adie a eleição da entidade.

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“Tivemos uma conversa cara a cara e eu pedi a ele que deixasse o cargo, disse que só assim poderíamos mudar a imagem da Fifa. Ele entendeu, mas disse que não havia mais tempo para isso”, disse Platini, logo após uma reunião de emergência com diversos cartolas, convocada pelo próprio Blatter. Platini negou que tenha intenção de concorrer ao cargo e disse que considera Blatter um amigo, mas que neste momento a Fifa precisa de mudança.

“Agora basta, acabou. Temos que preservar o futebol e não podemos concordar com as ações ocorridas e que a justiça agora vai esclarecer e julgar devidamente. Nós aproveitamos essa oportunidade e fizemos uma reunião com associados da Uefa. Tivemos uma bela discussão sobre a eleição presidencial de amanhã e a grande maioria dos associados da Uefa vai votar pelo príncipe Ali”, acrescentou.

Platini reconheceu que antes achava quase impossível a possibilidade do adversário de Blatter ser eleito. “Mas depois do que aconteceu ontem, acho que a coisa pode mudar e ele vencer”, admitiu o francês. O cartola espera que no mínimo 46 dos 54 votos da Uefa sejam destinados ao jordaniano.

A Football Association, entidade que administra o futebol na Inglaterra, já havia declarado apoio público ao único candidato de oposição. Até o primeiro-ministro britânico David Cameron declarou publicamente o seu apoio ao príncipe. Desde o início de sua candidatura, Al Hussein, de 39 anos (quarenta a menos que Blatter) defende um discurso de renovação na Fifa para “combater a corrupção” e “devolver a ética” à entidade.

Platini finalizou seu discurso dizendo que, caso Blatter vença a eleição, deverá haver uma reunião para reavaliar as relações da Uefa com a Fifa após a decisão da Liga dos Campeões, entre Barcelona e Juventus, em 6 de junho, em Berlim.

(Com reportagem de Leslie Leitão, de Zurique)