As respostas da Conmebol e da Uefa após pedido de desculpas da Fifa
Confederação europeia criticou o projeto de venda de ações da Fifa ao capital privado
A Uefa manteve a sua posição de boicote aos torneios da Fifa apesar do ‘mea culpa’ da entidade e o abandono do projeto de venda de ações de competições da Fifa. Em nota divulgada à imprensa internacional, a Confederação Europeia afirmou que as condições que exigiu para que revertesse sua posição “não foram atendidas” e que “perdeu a confiança na presidência de Gianni Infantino”. A Conmebol também se pronunciou e demonstrou “preocupação com as reiteradas ações unilaterais adotadas sem recorrer ao diálogo”.
A Fifa anunciou no dia 28 de julho a proposta do projeto “FIFA Forward Enterprise” para a criação de uma subsidiária para operações de suas competições com 20% de venda de ações para o capital privado. A proposta foi alvo de críticas, lideradas principalmente pela Uefa, que decidiram, com unanimidade das suas 55 federações nacionais, pelo boicote aos torneios da Fifa. A Concacaf também se posicionou contrária com rejeição também unânime de seus membros ao plano.
Quatro dias depois do anúncio, a Fifa voltou atrás e abandonou o plano diante das críticas, uma das condições para a Uefa voltar atrás do boicote. A entidade realizou uma reunião de crise, nesta quarta, 5, fez uma ‘mea culpa’ pelo proposta, mas indicou “apoio total” ao seu presidente, Gianni Infantino, que defendeu o projeto desde o início.
Segundo o jornal The Guardian, a Uefa planeja investigar se Infantino tentou vender barato participações na Copa do Mundo e nesta quinta, 6, reafirmou sua postura de desconfiança do mandatário.
A Conmebol afirmou no dia 31 de julho que realizaria uma reunião dos seus membros do Conselho para debater o assunto, e nesta quinta, 6, escreveu que “celebra a decisão da FIFA de retirar a proposta FIFA Forward Enterprise”.
Confira a nota da Uefa na íntegra:
“As associações da UEFA foram muito claras sobre as condições para sua não participação nas competições da FIFA.
Em primeiro lugar, as propostas de vender as principais competições deveriam ser retiradas. Em segundo, deveriam ser dadas garantias de que tentativas desse tipo de desfigurar o futebol dessa maneira jamais voltariam a acontecer.
Essas condições não foram atendidas. Além disso, a UEFA deixou absolutamente claro, em sua declaração de sábado, que perdeu a confiança na presidência de Gianni Infantino. Essa posição permanece inalterada.
O anúncio de ontem de que algumas pessoas empregadas pelo presidente da FIFA (e cujas carreiras dependem de seu favor) concordam com ele não muda absolutamente nada.”
Confira a nota na íntegra da Conmebol:
“O Futebol vem em primeiro Lugar. Conselho da CONMEBOL faz um chamado à preservação da institucionalidade
Diante dos acontecimentos que afetam a família do futebol, o Conselho da CONMEBOL, reunido nesta data, celebra a decisão da FIFA de retirar a proposta FIFA Forward Enterprise.
O Conselho manifesta, de forma unânime, sua preocupação com as reiteradas ações unilaterais adotadas sem recorrer ao diálogo nem aos mecanismos institucionais previstos para o tratamento desse tipo de situação.
Em questão de dias, o futebol passou de ocupar o centro das atenções mundiais em razão da realização de um extraordinário evento esportivo para concentrar o debate público em temas relacionados à sua governança.
Há mais de dez anos, a FIFA promoveu uma ampla reforma de seus Estatutos com o objetivo de fortalecer a institucionalidade, a transparência e a boa governança, estabelecendo procedimentos claros e mecanismos específicos para solucionar controvérsias que possam surgir no âmbito da família do futebol, garantindo o devido processo e o respeito às normas que regem nossa organização.
Esse marco institucional constitui uma garantia para todos. Por isso, aqueles que têm a responsabilidade de conduzir nossas organizações devem sempre privilegiar o diálogo, o respeito às normas e a construção de consensos. Quando esses princípios são deixados de lado, perde o futebol e perdemos todos.
O FUTEBOL É DE TODOS.
Seu futuro somente pode ser construído com base no respeito à institucionalidade, à governança e aos procedimentos democráticos que representam as 211 Associações Membro da FIFA.
No próximo 18 de novembro de 2026 será encerrado o prazo para a apresentação de candidaturas à Presidência da FIFA. Posteriormente, o Congresso da FIFA elegerá, por meio do voto de suas 211 Associações Membro, a pessoa que terá a responsabilidade de conduzir a organização no próximo mandato, incluindo a organização da Copa do Mundo Centenária da FIFA 2030.
Consequentemente, a CONMEBOL não apoiará qualquer atuação ou procedimento que desconsidere ou se afaste desses mecanismos institucionais.
O Conselho da CONMEBOL faz um chamado à preservação da unidade da família do futebol, à atuação com responsabilidade institucional, ao fortalecimento do diálogo e ao pleno respeito aos mecanismos de governança.
Porque, acima de qualquer diferença,
O FUTEBOL VEM EM PRIMEIRO LUGAR.”







