Uefa ameaça boicotar competições da Fifa se Infantino for adiante com projeto comercial
Organização europeia protesta contra proposta de venda de ações relacionada a entidade mundial do futebol
A Uefa anunciou boicote à Fifa nesta quinta-feira, 30. O posicionamento da organização europeia é um protesto contra a proposta da entidade mundial de futebol de criar uma empresa para administrar seus torneios e vender ações a investidores privados.
O novo projeto administrativo da Fifa foi anunciado nesta terça-feira, 28. A ideia é criar uma empresa privada para comercializar e organizar as competições da entidade, inclusive a Copa do Mundo. Além disso, a companhia inédita seria aberta para investimentos privados e venderia suas ações na bolsa.
A Uefa foi uma das primeiras organizações de futebol a se posicionar contra, recebendo o apoio da Confederação da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) e da Confederação Asiática de Futebol (AFC). Nesta quarta-feira, 29, Gianni Infantino, presidente da Fifa, divulgou um vídeo explicando mais detalhadamente a proposta.
A organização europeia de futebol fez uma reunião de emergência nesta quarta-feira, 29, e divulgou um dia depois o comunicado. A Uefa salientou que as 55 associações-membro rejeitam de forma unânime a projeto da Fifa. Caso essa situação permaneça como está, as seleções europeias, por exemplo, podem ficar de fora das próximas Copas do Mundo.
Confira um trecho do comunicado da UEFA:
“A UEFA e as suas 55 federações-membro mantêm-se unidas. Rejeitamos, de forma unânime e inequívoca, a proposta da FIFA de transferir participações no Campeonato do Mundo e noutras competições da FIFA para investidores privados.
O Campeonato do Mundo não pode ser tratado como um produto de investimento. É um dos maiores legados desportivos do futebol. Foi construído ao longo de várias gerações por jogadores, seleções nacionais e adeptos de todos os continentes. Nenhuma parte dele deve, jamais, ser entregue a investidores privados. O Campeonato do Mundo não está à venda.
É simultaneamente irresponsável e indefensável que uma proposta de tal importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à beira da aprovação sem qualquer consulta significativa com aqueles a quem foi confiada a gestão do desporto. Isto não é apenas uma falha profunda de liderança, mas uma renúncia ao dever da FIFA enquanto guardiã do futebol mundial.
As federações nacionais de todo o mundo enfrentam agora um ultimato: aceitar a apropriação irreversível das maiores competições de futebol ou arcar com as consequências. Não se trata de uma “decisão democrática”, mas sim de uma governação baseada na intimidação — um acto de coacção indigno de uma instituição a quem foi confiada a gestão do futebol mundial.”







