Ucraniano deixa seleção e acusa Shevchenko de misturar política e futebol

Yaroslav Rakitskiy joga no Zenit, da Rússia, e relacionou sua ausência nas convocações às tensões pela anexação da Crimeia e a guerra em Donbass

Por EFE - Atualizado em 6 nov 2019, 13h57 - Publicado em 6 nov 2019, 13h36

O zagueiro Yaroslav Rakitskiy, do Zenit São Petersburgo, anunciou nesta quarta-feira, 6, sua aposentadoria da seleção ucraniana acusando indiretamente o técnico e ídolo local Andriy Shevchenko de misturar política e futebol para não convocá-lo desde que se transferiu para um clube da Rússia.

“Parabéns à seleção ucraniana pela classificação para a Euro 2020. Desejo-lhes sucesso, vocês são ótimos, o futebol é ótimo! Há dez anos estreei na seleção principal e hoje digo adeus. Estou saindo da seleção da Ucrânia. Fiquei esperando uma convocação para a equipe ao longo de 2019, mas o grande futebol se tornou uma grande política. É o medo que guia as pessoas que fazem a convocação para a seleção nacional. Não é à qualidade do futebol que vocês apelam. Futebol não é política?”, escreveu o jogador de 30 anos no Instagram.

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Поздравляю, Сборная Украины, с выходом на евро-20, желаю успехов, парни вы молодцы, игра классная! 10 лет назад я дебютировал за главную Команду, а сегодня говорю «до свидания». Я ухожу из Сборной Украины. Я ждал вызов в Команду на протяжении всего 2019 года. Но большой футбол стал большой политикой. Именно страхом руководствуются люди, которые рассылают приглашения в национальную команду. Не навыками футбольного мастерства вы апеллируете. Футбол в не политике? Для меня было честью защищать Сборную своей страны, честь побеждать и доказывать силу Украинцев. Честь представлять цвета своего флага на международной арене. Спасибо всем кто поддерживал и тем кто не поддерживал, Вы заряжали быть ещё сильнее. Я всегда бился на футбольном поле за победу для Украины! Желаю только золотых наград! Спасибо!

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O ex-atacante Shevchenko, hoje técnico da seleção

O ex-atacante Shevchenko, hoje técnico da seleção Phil Noble/Reuters

Em fevereiro deste ano, uma semana depois de ter se transferido para o Zenit, Rakitskiy foi excluído pela Federação Ucraniana de Futebol de uma convocação para a seleção. Desde então, não foi mais chamado. Em seu único pronunciamento público a respeito, Shevchenko revelou que não havia conversado com o zagueiro, mas garantiu que convoca os jogadores mais bem preparados e que considerava o tema fechado.

“Foi uma honra para mim defender a seleção do meu país, uma honra para vencer e provar a força dos ucranianos. É uma honra representar as cores da bandeira no cenário internacional. Obrigado a todos que apoiaram, e aos que não apoiaram: você colaborou para eu ser ainda mais forte. Sempre lutei no campo de futebol pela vitória da Ucrânia. Desejo-lhes apenas prêmios de ouro! Obrigado”, pronunciou-se o jogador.

Antigos companheiros de Rakitskiy, como o técnico da seleção sub-21, Ruslan Rotan, ou o capitão do Karpaty, Artem Fedetskiy, criticaram sua transferência para um clube russo em meio às tensões pela anexação da Crimeia e a guerra em Donbass.

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O zagueiro defendeu a Ucrânia 54 vezes, a última delas em 16 de outubro do ano passado, contra a República Tcheca, pela Liga das Nações, mas vinha sendo acusado de não cantar o hino nacional antes dos jogos da seleção.

Um dos poucos a ter saído em defesa de Rakitiskiy foi o ex-atacante Oleg Salenko, artilheiro da Copa do Mundo de 1994. O ex-jogador optou por defender a seleção russa, embora seja filho de pai ucraniano e tenha defendido o Dínamo de Kiev.

O zagueiro de 30 anos disputou as Eurocopas de 2012 e 2016 e passou boa parte da carreira no Shakhtar, equipe que desde 2014 não consegue jogar em casa devido à guerra entre o Exército ucraniano e milícias pró-Rússia nas regiões de Donetsk e Lugansk.

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