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Ativismo está melhorando o desempenho de Osaka, diz treinador da tenista

Classificada às quartas de final do US Open, atleta japonesa de 22 anos vem usando máscaras em protesto à violência contra negros

Por Da Redação - Atualizado em 8 set 2020, 11h30 - Publicado em 8 set 2020, 11h12

A tenista japonesa Naomi Osaka vem se destacando com uma voz importante no combate à injustiça racial e, segundo seu técnico, o belga Wim Fissette, o ativismo vem melhorando o desempenho da atleta, classificada às quartas de final do US Open, em Nova York. Cumprindo os protocolos de segurança e prevenção ao coronavírus, o torneio é disputado sem a presença de público. 

Osaka, ex-número 1 do mundo e atual 10ª colocada do ranking da WTA, vem entrando e saindo de quadra no US Open usando máscaras pretas com o nome de americanos negros vítimas de violência. Na última partida, em que venceu a estoniana Anett Kontaveit por 2 sets a 0, com parciais de 6/3 e 6/4, Osaka homenageou Trayvon Martin, um jovem de 17 anos morto a tiros por um vigia em 2012.

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“Isso definitivamente a está ajudando em seu desempenho e dando a ela ainda mais energia”, disse na última segunda-feira 7 o treinador Fissette, que começou a trabalhar com Osaka no final de 2019. “Ela sempre tem motivação. É claro que ela quer ir muito longe neste Grand Slam e, obviamente, quer vencê-lo. Mas isso é como uma motivação extra.”

“É um tema muito importante para ela. Ela teve uma atitude grande e inacreditável durante o torneio de Cincinnati. Nós a apoiamos, porque sabemos o quão importante isso é pare ela”, completou, citando o fato de Osaka ter se negado a jogar a semifinal do torneio de Cincinnnati em resposta à morte de Jacob Blake, um homem negro baleado pela polícia, em Wisconsin.

Na ocasião, Naomi Osaka, de 22 anos, justificou sua atitude e recebeu apoio da organização do torneio. “Olá. Como muitos sabem, eu deveria jogar minha partida de semifinal amanhã. Porém, antes de ser atleta, eu sou uma mulher negra. E como uma mulher negra, sinto que há coisas mais importantes nesse momento que requerem imediata atenção, mais do que me assistirem jogar tênis”, escreveu a jogadora em suas redes sociais.

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“Eu não espero que nada drástico aconteça com o fato de eu não jogar, mas se eu conseguir iniciar um debate em um esporte majoritariamente branco, considero um passo na direção correta. Ver o consecutivo genocídio de pessoas negras nas mãos da polícia está honestamente me deixando enojada, até o estômago. Eu estou exausta de uma nova hashtag bombar a cada período de alguns dias e estou extremamente cansada de ter essa mesma conversa de novo, e de novo, e de novo. Quando será que basta?”, completou. Apoiada pela organização, Osaka voltou a jogar em Cincinnati e se classificou à decisão – acabaria desistindo, por lesão, diante da bielorussa Viktoria Azarenka.

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Fissette, que também treinou grandes estrelas do tênis feminino como Kim Clijsters, Simona Halep, Petra Kvitova e Angelique Kerber, disse que o ativismo não tirou o foco por vitórias de Osaka. “Com certeza, com o uso de máscaras, ela quer ser um modelo, mas também sabe que isso tem que vir junto com os resultados em quadra”, disse ele. “É uma boa combinação. Modelo fora e dentro de quadra. Até agora está funcionando muito bem. Estou muito orgulhoso dela. ”

Campeã do US Open de 2018 e do Aberto da Austrália de 2019, Osaka, que se mudou do Japão para os Estados Unidos aos 3 anos de idade, persegue seu terceiro título de Grand Slam. Na noite desta terça-feira, 8, ela enfrentará a americana Shelby Rogers por uma vaga na semifinal.

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