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Torcida empurra, Neymar decide, Brasil despacha México

Em partida duríssima, o camisa 10 voltou a desequilibrar, marcando o primeiro gol e dando o segundo de presente para Jô. Agora, a seleção lidera seu grupo

Por Giancarlo Lepiani, com fotos de Antonio Milena e Ivan Pacheco 19 jun 2013, 17h55

Preocupado com a queda de rendimento do time na segunda etapa, Felipão reforçou o meio para segurar o placar. Só Neymar, mais uma vez inspirado, destoava do resto da equipe

Não foi fácil, mas o Brasil espantou o fantasma mexicano nesta quarta-feira, na Arena Castelão. Com uma apresentação pouco inspirada mas bastante aguerrida e pragmática, bem ao gosto de seu técnico, a equipe de Luiz Felipe Scolari venceu sua segunda partida na Copa das Confederações: 2 a 0, gols de Neymar (o melhor do jogo, de novo) e Jô. O retrospecto recente contra os mexicanos era ruim, o que deixou a seleção em alerta para o duelo em Fortaleza. Com o patriotismo do público inflado pela onda de manifestações nas principais cidades do país – mas sem coros de cunho político e ideológico durante a partida -, a seleção foi apoiado como havia muito tempo não acontecia. O Brasil começou bem, dominando completamente o jogo até abrir o placar. Depois, caiu de produção e deu alguns sustos no torcedor até a virada para o segundo tempo. Na etapa final, a apresentação do time não chegou a arrancar suspiros, mas segurou a vitória, com direito a alguns momentos de perigo na defesa durante os minutos finais e mais um gol de oportunismo de Jô. Agora, a seleção tem 6 pontos ganhos e lidera o Grupo A. O Brasil fecha a fase de grupos da competição no sábado, às 16 horas (de Brasília), na Arena Fonte Nova, em Salvador, contra a Itália – que enfrenta o Japão ainda nesta quarta, às 19 horas, no Recife, e pode alcançar o Brasil na ponta da tabela.

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Blitz brasileira – Empurrado por uma torcida animada e barulhenta, o Brasil foi para o ataque desde o início, sufocando o adversário logo nos primeiros minutos. Assim como na estreia, as combinações entre Neymar, Oscar e Marcelo pelo lado esquerdo levavam perigo à defesa mexicana. A equipe visitante, porém, fazia uma marcação forte, dificultando as investidas brasileiras, e tentava sair rápido pra o contra-ataque. Mas a empolgação da equipe brasileira era tamanha que o gol não demorou a sair, assim como na estreia – e, mais uma vez, com Neymar. Aos 9 minutos, Daniel Alves desceu pela direita e cruzou com efeito, tentando achar Fred na área. A zaga afastou mas a bola caiu nos pés do camisa 10, que fuzilou o goleiro Corona, batendo de primeira. Aos 13, a seleção fez uma verdadeira blitz na defesa mexicana, com Neymar e Marcelo costurando uma linda tabela, Paulinho tentando o chute e Hulk arriscando uma bicicleta no rebote. A bola ainda sobrou para Daniel Alves, que quase encobriu Corona.

Os personagens

  • O artista Neymar

    Além de marcar o primeiro gol, o camisa 10 deu dribles sensacionais e puxou contra-ataques com velocidade. Foi o melhor em campo – de novo

  • O guerreiro David Luiz

    Brigou muito para afastar as perigosas bolas aéreas do México e superou um ferimento no nariz, ainda no segundo tempo, fazendo um ótimo jogo

  • O talismã Jô

    Chamado de última hora para a seleção, tornou-se um especialista em fazer gols nos acréscimos – foi seu segundo tento em dois jogos na competição

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O excesso de confiança levou o Brasil a passar por um susto logo em seguida – David Luiz tentou chapelar dois atacantes mexicanos e acabou perdendo a bola. Mier ficou com a sobra mas chutou pelo lado. Aos 22, pouco depois de sofrer falta dura de Guardado, Neymar voltou a usar sua velocidade para criar nova chance de gol. A chute saiu forte, mas passou sobre o gol mexicano. A partir dos 25 minutos, o Brasil caiu de produção: passou a criar poucas chances e a ficar mais vulnerável aos avanços mexicanos. Durante alguns minutos, o Brasil chegou a ficar sob forte pressão, principalmente depois que David Luiz teve de sair de campo temporariamente para ser atendido pelo médico da seleção (depois de uma dividida pelo alto, sangrou bastante pelo nariz). Preocupado em cozinhar o jogo enquanto estava com um a menos, o time de Felipão parecia apenas esperar pelo fim do primeiro tempo, sabendo que seria fundamental descer para os vestiários em vantagem. Depois de repelir mais algumas tentativas mexicanas, o Brasil conseguiu fechar a primeira metade do jogo na frente.

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Pressão mexicana – O Brasil recuperou a força ofensiva na segunda etapa. Logo no primeiro minuto, após falta cobrada por Neymar sobre a área, o capitão Thiago Silva empurrou para as redes, em impedimento – o gol foi corretamente anulado. Aos 8 minutos, a repetição de uma cena que já virou rotina nas partidas da seleção: depois de alguns minutos de marasmo, a torcida começou a pedir a entrada de Lucas. Dois minutos depois, Hulk recebeu de Neymar na entrada da pequena área e desperdiçou – o que só fez aumentar o coro pela substituição. Só Neymar, inspirado, destoava do resto do time: aos 11 minutos, ele arrancou pela direita e chutou cruzado, para fora. Aos 14, David Luiz cortou para fora um lance de extremo perigo do México. Preocupado com a queda do time, Felipão trocou Oscar por Hernanes, reforçando o meio. Deu certo: o time aumentou a posse de bola, ficou mais tempo no ataque e criou mais chances. Nos últimos 15 minutos, o México foi para cima e chegou a assustar a torcida, com lances perigosos principalmente na bola aérea. Os pedidos por Lucas foram atendidos só aos 32 minutos, quando ele entrou no lugar de Hulk. Satisfeito com o resultado, o time ainda conseguiu ampliar o placar com Jô, já nos acréscimos. O atacante do Atlético-MG, que havia substituído Fred minutos antes, só empurrou para o gol após jogada extraordinária de Neymar pela ponta esquerda.

As CHaves do jogo

  • Bola aérea

    O México insistiu bastante nos cruzamentos, mas o Brasil levou a melhor em 77% das disputas no alto, com David Luiz e Thiago Silva bastante entrosados

  • Precisão

    A seleção brasileira teve menos posse de bola que a mexicana (45% contra 55%), mas compensou essa desvantagem com finalizações mais precisas

  • Lado esquerdo

    A dupla formada por Neymar e Marcelo tem dado resultado – mais entrosados, eles trocaram nada menos que 33 passes na partida em Fortaleza

» Confira todas as estatísticas da partida

Antes da partida, a chegada do torcedor ao Castelão foi atribulada: uma enorme manifestação na principal via de acesso ao estádio tornou o caminho, que já costuma ser problemático, ainda mais demorado. Apesar do início pacífico, o protesto descambou para o vandalismo a cerca de quatro horas do jogo. Um pequeno grupo de manifestantes em meio a uma multidão estimada em 15.000 pessoas lançou pedras e bombas caseiras na direção da polícia, que vinha acompanhando o movimento à distância. Houve confronto e os agentes de segurança usaram gás lacrimogêneo e balas de borracha para conter os manifestantes violentos. Apesar da dificuldade para chegar, o estádio ficou praticamente lotado – e em clima de apoio incondicional à seleção. Os cartazes com mensagens políticas, proibidos pelo código de conduta escrito pela Fifa, foram poucos. Conforme já era previsto, na hora da execução do Hino Nacional, o públicou cantou a letra na íntegra, mesmo com a execução pelo sistema de som interrompida ainda no início (o cerimonial da Fifa costuma tocar uma versão abreviada do hino brasileiro). Pouco antes dos 20 minutos, parte da torcida esboçou um coro de “vem pra rua, vem”. A enorme maioria do público vaiou a manifestação. No fim da partida, o torcedor fez a festa cantando “eu sou brasileiro, com muito orgulho”.

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