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Tom Brady é exemplo da força dos hábitos regrados para uma vida longa

O jogador de futebol americano de 43 anos chegou aonde está porque se cuidou, permanentemente, e cada vez com mais precisão

Por Alexandre Senechal Atualizado em 12 fev 2021, 10h15 - Publicado em 12 fev 2021, 06h00

Nunca houve um quarterback como Tom Brady. Ele empilha recordes na posição mais celebrada do futebol americano — a do jogador responsável por armar as jogadas de ataque. Brady ganhou sete vezes o Super Bowl, a finalíssima da liga americana, em dez disputas. Ergueu a taça pela primeira vez em 2002, aos 24 anos. A mais recente foi no domingo 7, pelo Tampa Bay Buccaneers, aos 43 anos.

Enfim, ele é o maior de todos os tempos — e continua aí, disposto a prosseguir por mais dois anos, desafiando o relógio biológico. Mas como permanecer no auge durante duas décadas — além de manter um casamento de doze anos com Gisele Bünd­chen? Ao menos a uma das perguntas a ciência consegue responder.

EM CASA - Gisele Bündchen, com dois dos filhos de Brady: ela segue a dieta dele -
EM CASA - Gisele Bündchen, com dois dos filhos de Brady: ela segue a dieta dele – Kevin C. Cox/Getty Images/AFP

Brady, mais do que qualquer outro grande nome em atividade, se beneficia dos avanços do conhecimento do metabolismo humano e dos métodos de treinamento. Trata-se de zelar mais pelos genes do que pela genética. Em outras palavras: é possível que ele tenha alguma propensão natural, ainda não revelada, mas chegou aonde está porque se cuidou, permanentemente, e cada vez com mais precisão. Os processos de avaliação cardiorrespiratória e muscular totalmente personalizados hoje definem com exatidão microdesgastes físicos, evitando lesões, ponto fundamental para a longa vida nas quadras e gramados. Não por acaso, a média de idade em Olimpíadas saltou de 22,5 anos, em 1980, para 27 anos, em 2016. Mas há outro segredo, comezinho, e que pode ser transferido para o comum dos mortais: manter a ferro e fogo ao menos três hábitos — boa alimentação, longas horas de sono e treino.

VETERANO - O americano Anthony Ervin: ouro nos 50 metros livre no Rio, em 2016, aos 35 anos -
VETERANO - O americano Anthony Ervin: ouro nos 50 metros livre no Rio, em 2016, aos 35 anos – Dave Hunt/EFE

Quando não está jogando, Brady dorme às 20h30 e só acorda depois de nove horas. Jamais consome alimentos com glúten, açúcar, lactose e farinha. Bebida alcoólica, quase nunca. Sua dieta, seguida também por Gisele, consiste basicamente em cerca de 80% de frutas e vegetais e, na porção restante, proteína magra. Nos treinamentos, nada de musculação pesada, mas atividades que exercitem a velocidade, a agilidade e a resistência. O sucesso de Brady o autorizou a patentear sua rotina, batizada de Método TB12, sigla referente às iniciais de seu nome e ao número utilizado em campo.

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Dormir bem, comer direito e se mexer, reafirme-se, estão entre os hábitos que mais influenciam no ganho de anos. Pesquisa recente da Universidade Harvard comprovou que associá-­los, além de não fumar, promove um aporte de catorze anos para as mulheres e de doze para os homens, em comparação com os que não os seguem. “Não é exagero dizer que os 40 anos são os novos 25 anos”, diz Henrique Cabrita, ortopedista do Vita, de São Paulo, reputado instituto dedicado à medicina esportiva. O estudo americano ainda contemplou o consumo moderado de vinho, o correspondente a uma taça por dia. Não é preciso ser Brady e Gisele para viver mais e feliz.

Publicado em VEJA de 17 de fevereiro de 2021, edição nº 2725

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