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Tite e Oswaldo, as armas de Corinthians e Palmeiras

Novos treinadores prometeram 2015 de vitórias – e times bem ofensivos

A maior rivalidade do futebol paulista ganhou novos protagonistas nesta terça-feira. Ídolo da torcida do Corinthians, Tite retornou ao clube depois de um ano sabático e se mostrou animado em reassumir a equipe que disputará a fase pré-Libertadores em fevereiro. Ele assinou contrato de três anos. No Palmeiras, Oswaldo de Oliveira foi apresentado sob clima de maior desconfiança. Ele se tornou o único treinador a dirigir os quatro grandes de São Paulo e do Rio de Janeiro e garantiu que seu passado marcante pelo Corinthians não influenciará em nada em seu trabalho. Em lados opostos, tanto Oswaldo quanto Tite coincidiram em um aspecto: querem formar equipes ofensivas.

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Depois de passar o ano de 2014 aprimorando seus conhecimentos – assistiu a grandes partidas na Europa, leu livros e conversou com técnicos renomados como Carlo Ancelotti, do Real Madrid, e Carlos Bianchi, do Boca Juniors -, Tite disse que se considera um profissional melhor do foi em sua primeira passagem. Ele ainda brincou que está há um ano invicto e afirmou que sua equipe terá maior vocação ofensiva em 2015 (na última passagem, foi criticado por parte da torcida por montar equipes exageradamente defensivas). Tite não quis falar sobre os valores de seu contrato, mas garante que o salário não foi decisivo na escolha. “O profissional quando vislumbra a possibilidade de ir para um clube com chance de crescimento, ele se motiva mais. Na área financeira, não entro. Não é prerrogativa minha.” O Inter entrou na briga para contratar o treinador gaúcho, mas Tite disse que a “gratidão” pesou a favor do time paulista.

Oswaldo, por sua vez, assumiu o Palmeiras em uma situação delicada. Após o melancólico fim de ano da equipe, que brigou para não cair até a última rodada do Brasileirão em pleno ano do centenário, o técnico carioca assumiu o lugar de Dorival Júnior com a responsabilidade de resgatar a confiança da equipe. Sua identificação com o rival Corinthians, pelo qual venceu o Brasileirão de 1999 e o Mundial de Clubes de 2000, foi o principal tema de sua apresentação. Ele, porém, minimizou o fato. “Não sou o primeiro e não serei o último treinador a ser identificado com o Corinthians que assume o Palmeiras. Pretendo manter minha qualidade profissional e quero fazer um trabalho até melhor do que fiz lá.” Bem mais identificado que Tite com um jogo ofensivo, Oswaldo prometeu manter sua filosofia, mas avisou que os gols dependem da qualidade dos atletas. As principais declarações dos novos rivais do futebol paulista.

Tite

Volta – Seria muito fácil dizer não ao Corinthians, deixar para outra hora. Por todos aspectos. Poderia dizer vaidosamente: ‘Lembrem-se de mim pelas últimas conquistas.’ Mas tenho coragem. Vou ser cobrado? Vou. Vou dar a minha cara para bater. É o meu jeito. Poderia e teria outras situações, mas o foco é a gratidão a um clube e a uma torcida extraordinários.

Propostas – Minha filha passou no vestibular em Porto Alegre, vai ficar lá agora. Quando conversei com o Inter, disse que tinha um dever de gratidão muito recente a um clube extraordinário, e isso pesa muito mais que valores.”

Pré-Libertadores – A partir de agora, vou ficar envolvido em todas as situações, tomar café e ficar em tempo integral direcionando o que é importante para não repetir os erros cometidos na outra vez, contra o Tolima. É importante os jogadores se cuidatem nas férias, ficarem bem de condicionamento físico, sem sobrepeso.

Retranqueiro? – Aprimorei trabalhos específicos ofensivos, busquei isso. Queria ter uma gama maior de trabalhos ofensivos para passar aos atletas e ser exigente. Mas sempre mantendo aquela ideia de futebol equilibrado.

Mano Menezes – Meu respeito profissional ao Mano é muito grande. Cada um cria sua própria etapa e própria história. Comparações não levam a lugar algum.

Sheik – Todos os atletas do clube são patrimônio e vão ser respeitados para trabalharem de forma igual. O Sheik junto com os outros todos. Ele é atleta do clube.

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A diretoria do Palmeiras apresenta o técnico Oswaldo de Oliveira no CT da Barra Funda, zona oeste da cidade de São Paulo, SP, nesta terça-feira (16) A diretoria do Palmeiras apresenta o técnico Oswaldo de Oliveira no CT da Barra Funda, zona oeste da cidade de São Paulo, SP, nesta terça-feira (16)

A diretoria do Palmeiras apresenta o técnico Oswaldo de Oliveira no CT da Barra Funda, zona oeste da cidade de São Paulo, SP, nesta terça-feira (16) (/)

Oswaldo de Oliveira

Emoção – Quero dizer que realizo um sonho. Trabalhar nesse clube com tanta tradição e herança positiva para o futebol brasileiro. É uma emoção muito grande e inspiradora. Motivadora acima de tudo. Vamos buscar ao longo deste ano restaurar os grandes momentos do Palmeiras. Quero também agradecer ao meu colega Dorival Júnior pela manutenção na Série A. Vou trabalhar para dar continuidade ao trabalho dele.

Carreira – É uma questão acidental ter chegado no Palmeiras por último. Tive algumas chances antes, mas não conseguimos fechar. Houve algumas ameaças, mas como quem ri por último ri melhor, tomara que aqui seja a fase mais bem-sucedida nos clubes de São Paulo.

Objetivos – O Palmeiras entra sempre para ser campeão. É mais difícil começar um trabalho, mas vamos lutar para fazer um grande Campeonato Paulista e seguir o trabalho.

Gols – Vou fazer um time ofensivo se o elenco tiver essa capacidade. Vamos buscar ao máximo a agressividade atrás das vitórias. A diretoria sabe minha filosofia, como encaro futebol. Vamos tentar fazer um time competitivo, que tenha equilíbrio defensivo e agressividade no ataque.

Valdivia – Não existe no futebol atual ter um time em torno de um só jogador, a Copa do Mundo provou isso. Vamos não só utilizar onze titulares, mas preparar um time para ter revezamentos ocasionais. Vejo muitos valores importantes, o Valdivia é um deles, um grande jogador, alguns jovens muito bons, mas vamos examinar o elenco em várias reuniões. Gosto de trabalhar com quatro goleiros e 30 jogadores.

Nervosismo – Quando entramos numa lagoa, o comportamento é diferente de um mar revolto. Passei cinco anos no Japão, onde tudo acontecia maravilhosamente bem. Meu trabalho transcorria normalmente. Era a lagoa calma. No Brasil é totalmente diferente, não seria saudável me comportar do mesmo jeito.

Derrotas na arena – Foram apenas dois jogos, muito pouco para avaliar. Era estádio neutro, nem o Palmeiras estava acostumado. O amadurecimento acontecerá com a sequência de jogos. É fundamental jogar em casa, não por interferência da torcida, mas por se ambientar com gramado, você vai se familiarizando e isso dá confiança ao time e à torcida.

Estrangeiros – Gosto de trabalhar com jogador bom, independentemente da idade ou da nacionalidade, não importa se é jovem ou austríaco. O que importa é que sejam disciplinados. O que importa não é a faixa etária, é o comportamento do jogador dentro e fora do campo.

(Com Estadão Conteúdo e Gazeta Press)