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Terreno de novo autódromo em Deodoro é campo minado ativo, diz documento

Varredura do local onde Bolsonaro pretende construir pista para receber a Fórmula não foi completa, informa Agência Sportlight

Por Da redação - Atualizado em 10 dez 2019, 18h44 - Publicado em 10 dez 2019, 17h15

Os planos do presidente Jair Bolsonaro e políticos cariocas de erguer um autódromo no Rio de Janeiro para receber a Fórmula 1 podem sofrer novos entraves. Reportagem desta terça-feira, 10, da Agência Sportlight mostrou, por meio de documentos obtidos via Lei de Acesso à Informação, que o terreno conhecido como Camboatá, em Deodoro, local escolhido para construção da pista, é um campo minado ativo.

Jornais da década de 50 comprovam que o terreno serviu como paiol de armas e para treinamento militar do Exército no passado e ao menos dois acidentes foram registrados no local em 1958.

A agência teve acesso ao “Relatório Final da Força Tarefa Camboatá”, elaborado pelo 1º Batalhão de Engenharia de Combate'(RJ) e encaminhado ao Comando Militar do Leste, que apontou que 167 000 artefatos e estilhaços de granadas e explosivos foram localizados e neutralizados no imóvel Camboatá durante varreduras em 2014 e 2015.

Há, no entanto, um trecho preocupante, que atesta: “em decorrência de limitação do material e da técnica necessária para execução da tarefa, a varredura não foi realizada em todo o terreno”. A lacuna, portanto, impede assegurar risco zero para o pretendido futuro autódromo, já que centenas de milhares de artefatos foram encontrados nas áreas averiguadas.

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A área de 2 milhões de metros quadrados em Deodoro pertencia ao exército e foi para a prefeitura do Rio, tendo passado antes por uma transação de reversão para o Ministério do Esporte, que pagou cerca de 120 milhões de reais, informa a reportagem assinada pelo jornalista Lúcio de Castro. Procurado pela agência Spotlight, o Comando do Exército (CEX) não se pronunciou sobre as denúncias.

Disputa com Interlagos

O contrato da Fórmula 1 com o Autódromo de Interlagos, em São Paulo, vai até 2020. Os trâmites para a renovação, entretanto, se complicaram desde a chegada do Rio de Janeiro na concorrência pelo GP. O presidente Jair Bolsonaro assinou um termo de cooperação, em maio deste ano, para construir um novo autódromo da capital carioca, no bairro de Deodoro – que teve licitação suspensa pela Justiça Federal -, com objetivo de sediar a corrida da principal categoria do automobilismo.

O recém-criado consórcio Rio Motorsport foi anunciado como o vencedor do processo de licitação para erguer o autódromo, com um projeto de 700 milhões de reais, que inclui a construção de uma pista de 4,5 quilômetros e o objetivo de realizar uma parceria público privada por 35 anos.

Em junho, após reunião com Chase Carey, diretor-executivo da Fórmula 1, Bolsonaro chegou a dizer que a corrida tinha 99% de chance de ser sediada pelo Rio. “Nós não perderemos a Fórmula 1. O contrato vence ano que vem com São Paulo e resolveram retornar a Fórmula 1 para o Rio de Janeiro. Seria isso ou a saída do Brasil. Noventa e nove por cento de chance, ou mais, de termos a Fórmula 1 a partir de 2021 no Rio de Janeiro. Ninguém está tirando a Fórmula 1 de São Paulo. Ela está permanecendo no Brasil”, declarou o presidente, na ocasião.

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Desde então, o governador de São Paulo João Doria ressalta o interesse em renovar o contrato da sede paulista e, apesar de sua proximidade com Bolsonaro, faz duras críticas ao projeto carioca. Em recente entrevista, concedida durante o GP do Brasil, Doria revelou que faria uma reunião com Chase Carey ainda em dezembro, para tentar firmar um novo acordo, com validade de mais dez anos. O encontro, segundo a equipe do governador paulista, foi adiado para março de 2020.

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