Assine VEJA a partir de R$ 9,90/mês.

‘Tempo Nadal’: a estratégia que irrita até o mais genial dos tenistas

O tenista espanhol impõe seu próprio ritmo antes, durante e depois dos pontos

Por Da Redação - Atualizado em 10 jun 2019, 17h02 - Publicado em 10 jun 2019, 16h44

Rafael Nadal levantou seu 12º troféu de Roland Garros no último domingo, 9, ao vencer o austríaco Dominic Thiem, por 3 a 1. O ‘rei do saibro’, atual número 2 do ranking da ATP, também despachou o seu maior rival, o genial Roger Federer, na semifinal por 3 a 0, abusando de suas táticas antes, durante e depois dos pontos, tornando o suíço uma presa fácil.

O espanhol é o tenista mais forte do circuito na parte mental, é raríssimo vê-lo se abalar, ficar nervoso ou irritado, mesmo nas horas mais decisivas dos torneios mais importantes. Nadal é sólido, corre muito e troca bolas indefinidamente, estuda os pontos fracos dos adversários muito bem, mas já começa vencendo suas batalhas antes do primeiro saque da partida. Ele é sempre o último a se apresentar para escolher o lado da moeda que define quem começa sacando, pois fica alinhando minuciosamente suas garrafas de água e isotônico e não joga o ponto se algo tirá-las do posicionamento inicial.

Antes de sacar, o espanhol ainda tem o ritual de se secar com a toalha, ajeitar o calção, coçar a cabeça, arrumar o cabelo, tirar os pingos de suor do rosto para depois bater a bolinha várias vezes e então começar o ponto. A ATP define que os tenistas têm 25 segundos de intervalo entre os pontos e podem perder um dos saques caso ultrapassem o limite. O “Tempo Nadal”, segundo dados da Data Driven Sports Analytics, é de em média 26,1 segundos – o maior do circuito. Enquanto isso, o adversário parece viver uma eternidade do outro lado da quadra e começa a perder a paciência antes mesmo do ponto começar, caso do mais genial dos tenistas.

Federer é quase unanimidade quando o assunto é quem é o melhor da história do tênis. A genialidade, técnica refinada e plástica de seu jogo e sua sala com 101 troféus no circuito da ATP – entre eles 20 Grand Slams (recorde) – provam o quanto o suíço é especial, jogando em alto nível aos 37 anos. Como todos, Federer também tem dificuldades e seu principal defeito é a impaciência, quesito em que Nadal sobra, alongando o máximo possível os jogos com estratégias e seus repetitivos ‘tiques nervosos’.

Publicidade

No início da carreira, Federer, como a maioria dos jovens, era rebelde, quebrava suas raquetes e esbravejava contra juízes. Com o passar dos anos, o suíço aprendeu que precisava de mais calma e se tornou mais frio, sem quase esboçar reações nas partidas. O jogo de Federer é agressivo e ele gosta de encurtar os pontos, distribuir winners e aces, para  pensar logo no próximo, exatamente o oposto de Nadal, que retarda os pontos e explora os golpes do lado esquerdo do suíço ao limite, forçando erros e quebrando sua confiança habitual. A estratégia de Nadal lhe concede uma ampla vantagem de 24 vitórias a 15 sobre  Federer, que pouco pode fazer para batê-lo nas quadras lentas de saibro.

 

Publicidade