Técnico dos EUA nega benefício por suspensão da pena de seu artilheiro
Fifa suspende a punição do atacante Balogun, expulso na última partida, e permite que ele enfrente a Bélgica pelas oitavas de final
O técnico argentino da seleção dos Estados Unidos, Maurício Pochettino, defendeu com veemência a mudança da pena de um jogo que seu atacante Folarin Balogun recebeu por ser expulso nos 16 avos de final. Em vez de cumprir a suspensão, o atacante entra em um período probatório de um ano, no qual uma nova infração de natureza e gravidade semelhantes reativa a punição original.
Ou seja, a suspensão da suspensão, concedida pela Fifa depois de um pedido pessoal do presidente americano Donald Trump ao presidente da entidade, Gianni Infantino, segundo reportagem do jornal americano New York Times.
A decisão libera Balogun para enfrentar a Bélgica nas oitavas de final, nesta segunda-feira. 6, no estádio de Seattle, às 21h (de Brasília). O atacante havia sido expulso na partida contra a Bósnia e Herzegovina, na rodada anterior, e a própria Fifa já tinha confirmado que ele precisaria cumprir suspensão automática, sem direito à apelação.
Pochettino negou envolvimento no processo que levou à reversão. “Para mim, não há muito debate aqui, embora eu entenda a perspectiva da Bélgica e o ponto de vista do Rudi”, disse o treinador a jornalistas, referindo-se ao técnico belga Rudi Garcia, que classificou a decisão da Fifa como injustificável e criticou duramente a reviravolta de última hora.
Segundo Pochettino, se alguém saiu prejudicado na história toda, foi a própria seleção americana. “Pode alguém justificar a ideia de que não fomos punidos? Jogar 30, 35 minutos com um a menos numa partida eliminatória de Copa do Mundo? Não é como se estivéssemos nos beneficiando”, afirmou, sobre a decisão da Fifa que o beneficiou.
Questionado sobre a ligação da Casa Branca com o caso, o treinador minimizou o episódio: “O poder do esporte é incrível. Não me surpreende que até o presidente tenha entrado nisso. Venho de um país, a Argentina, em que o futebol é quase uma religião”.
A ausência presumida de Balogun era vista como um golpe duro para os Estados Unidos, que haviam perdido de 5 a 2 para a Bélgica em amistoso disputado neste ano. Artilheiro da seleção na Copa, com três gols, o jogador do Monaco foi expulso após um lance duro sobre o zagueiro bósnio Tarik Muharemović. Imagens em câmera lenta mostraram a trava do americano na perna do adversário, atingindo o tornozelo.
Pochettino insistiu que o cartão vermelho foi um erro de arbitragem. “Fomos punidos o suficiente contra a Bósnia, jogando com dez homens por 30 minutos, numa decisão injusta. Não é porque sou o técnico dos Estados Unidos, acho que 99,9% das pessoas concordam que foi um cartão vermelho injusto”, disse. Segundo ele, há precedentes de suspensões adiadas ou revertidas em situações semelhantes, e outros lances parecidos no torneio não resultaram em punição.
O treinador não confirmou se Balogun volta ao time titular. Mas é difícil imaginar que tanto esforço foi empreendido para deixar o artilheiro do time na Copa, com 3 gols marcados.
EM UM SÓ LUGAR







