Clique e assine a partir de 9,90/mês

Técnico da Alemanha vê Brasil de Tite com ‘nova mentalidade’

Joachim Löw e seus atletas minimizaram "clima de revanche" dos brasileiros, quatro anos após a goleada por 7 a 1 no Mineirão

Por Tiago Leme, de Berlim - 26 mar 2018, 11h43

Na preparação para o amistoso desta terça-feira em Berlim, a fatídica goleada de 7 a 1 na semifinal da Copa do Mundo de 2014 tem sido abordada muito mais pelos brasileiros do que pelos próprios alemães. Na entrevista coletiva da Alemanha nesta segunda, com participação do técnico Joachim Löw e dos defensores Jérôme Boateng e Matthias Ginter, todas as seis perguntas relacionadas ao assunto foram feitas por jornalistas brasileiros, e as respostas foram sempre em tom de respeito. Para o treinador alemão, houve uma clara evolução do Brasil por causa do trabalho do técnico Tite, e o time atual é mais forte do que aquele comandado por Luiz Feliz Scolari há quatro anos.

Tabela completa de jogos da Copa do Mundo 2018

“Eu acredito que o 7 a 1 no Brasil tem mais importância para o povo do que para a gente. Para a gente, claro que foi um bom jogo, mas foi só um passo para conseguir ganhar a Copa do Mundo. A gente ganhou um jogo, talvez em um dia que o Brasil não estava legal, deu para ver isso no campo. Claro que no Brasil se fala sobre isso, é normal, perder na semifinal em casa por 7 a 1 causa uma reação. Talvez tenha um sentimento de revanche, mas isso é uma coisa que passou, não dá para voltar atrás. O treinador mudou, dá para ver que eles estão com uma nova mentalidade”, afirmou Löw.

Löw destacou o desenvolvimento do futebol no país. “Nós também evoluímos. Se tudo fosse como era, o Brasil sempre seria o vencedor da Copa do Mundo. Mas não é. A Alemanha evoluiu. Do contrário, não teríamos chance. Hoje defendemos a criatividade, alegria de jogo e temos uma clara filosofia”.

Há 12 anos no comando da seleção alemã, Joachim Löw desenvolveu uma filosofia que resultou no título mundial em 2014. Para ele, o Brasil de Tite agora também tem uma mentalidade de futebol mais bem definida e um jogo coletivo mais consistente, sem depender apenas de talentos individuais.

Continua após a publicidade

“Desde que o novo treinador chegou, eles estão com outra mentalidade. O treinador sempre fala que o que aconteceu contra a Alemanha não poderá mais acontecer no futebol. O Tite diz ‘a gente tem que ter mais disciplina defensiva’, todos têm que saber defender. Individualmente, na frente, são os melhores do mundo, todos sabem o que fazer bem no mano a mano. Neymar e Coutinho trabalham muito defensivamente, estão muito mais estáveis, o que é o trabalho do treinador. É uma pena Neymar não jogar.”

“Nos últimos dois ou três anos, o Brasil é uma equipe em que cada um sabe sua posição. Não tem só uma estrela como Neymar ou Coutinho, eles estão dentro da filosofia da equipe. Em 2014, claro, a gente teve que fazer uma equipe, mostramos com cada um em sua posição que estávamos com um desempenho alto, senão não ganharíamos a Copa. Ao final, o desempenho é mais importante que uma estrela. Se uma estrela não se integrar à equipe, será super difícil, não importa a nacionalidade”.

O zagueiro Jérôme Boateng, que foi titular no 7 a 1 e jogará novamente neste terça, também deixou claro que a goleada do Mineirão já ficou no passado para os alemães.

“Que isso é um tema para os brasileiros está claro, mas para a gente não é uma grande coisa. Nós temos que nos preparar para pegar um Brasil que é forte e está motivado. Naquele jogo, deu para ver já no primeiro tempo, nós pensamos que aquilo não era normal, mas falamos para ficarmos concentrados e jogar. Quando acabou o jogo, não foi pena o que sentimos, mas é emocional a gente ver pessoas chorando, tristes. Claro que a gente estava feliz, mas deu para ver uma empatia. Se a acontece isso na Alemanha ia ser a mesma coisa ou parecido”, disse o jogador do Bayern de Munique.

Continua após a publicidade

A seleção alemã terá desfalques, por lesão ou por precaução. A provável escalação da Alemaha para o amistoso é: Leno (Trapp), Rüdiger, Boateng e Ginter; Kimmich, Gündogan, Khedira (Goretzka) e Plattenhardt; Stindl, Werner e Sané. Com isso, Boteng e Khedira, se realmente jogar, serão os únicos remanescentes daquela semifinal do Mundial no Brasil.

Publicidade