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Técnico Cristóvão Borges vê racismo em críticas ao seu trabalho no Flamengo

Treinador diz que não se abate com ofensas, mas cobra respeito

O treinador Cristóvão Borges, do Flamengo, afirmou que há conotação racista nas críticas da torcida rubro-negra ao seu trabalho. “Começam com as críticas, que viram insistentes, contínuas e diárias, uma perseguição, e, no conteúdo de algumas dessas críticas, existem componentes racistas. Por exemplo, foi citado que o Flamengo, na hora de escolher o treinador, deixou de escolher o Oswaldo de Oliveira para escolher o Mourinho do Pelourinho”, contou o treinador baiano, em entrevista à ESPN Brasil.

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“Como eu sou negro, eu enxergo o racista a qualquer distância e como o Flamengo é essa lente de aumento, fica mais fácil ainda enxergar. O racista vê o negro como aquela pessoa que deve dizer sempre ‘amém’ e não deve se posicionar. E eu sou antítese disso, defendo minhas convicções. Então para eles, eu sou tido como um intruso, um abusado. Mas minha posição nunca vai ser de pobre coitado. Vivo bem, trabalho num clube maravilhoso e vejo uma melhora no trabalho.”

Cristóvão comparou a posição de treinador com a de árbitro de futebol e disse entender a forma passional como os torcedores reagem, mas cobrou respeito. “A tolerância comigo é diferente, sempre foi. Agora, isso não é uma coisa que me afete a ponto de atrapalhar meu trabalho. Isso não, porque eu me preparei para estar nessa situação. Só que, quando passa do ponto, quando me atinge como pessoa, como cidadão, aí sim eu vou procurar meus direitos para me fazer ser respeitado.”

Com passagens por clubes como Corinthians, Grêmio e Fluminense e seleção brasileira como jogador, Cristóvão Borges já havia sofrido com o mesmo problema quando treinou o Vasco, entre 2011 e 2012. O técnico de 56 anos assumiu o comando do Flamengo em maio, após a demissão de Vanderlei Luxemburgo. O Flamengo ocupa a 13ª posição no Campeonato Brasileiro, com 20 pontos.

(com Estadão Conteúdo)