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Técnica vê judocas brasileiras submissas no Pan e critica: ‘faltou entrega’

A performance das judocas brasileiras nos Jogos Pan-americanos de Guadalajara deixou a técnica Rosicleia Campos extremamente insatisfeita. Logo depois de ver Sarah Menezes ficar com o bronze neste sábado, ela criticou suas pupilas nominalmente e disse que sentiu falta de entrega da equipe.

‘Elas são iguais ou superiores a todas aqui. Mas é uma questão de postura de campeã. A campeã tem que pegar o coração na mão e bombear. Tem que sair com a certeza que fez tudo que podia e um pouco mais, porque o atleta de alto rendimento vai além do que o corpo permite. Os mexicanos são inferiores tecnicamente, mas estão dando a alma. Faltou isso para as nossas atletas’, disse.

O judô feminino brasileiro conquistou duas pratas (Rafaela Silva e Érika Miranda) e quatro bronzes (Maria Portela, Maria Suelen, Mayra Aguiar e Sarah Menezes) em Guadalajara. Já Katherine Campos foi a única judoca que não subiu ao pódio. Insatisfeita, Rosicleia criticou algumas atletas abertamente.

‘Não consigo entender como uma atleta como a Rafaela, temida pela campeã mundial do ano passado e pela campeã mundial júnior, chega e respeita uma atleta de Cuba como se ela fosse a campeã mundial, sem desmerecê-la. Ela pode perder por capacidade da adversária, mas não por se diminuir mediante uma atleta só porque é experiente. Não posso admitir uma postura submissa ou inferior’, disse.

A ex-judoca, presente nas Olimpíadas de Barcelona-1992 e Atlanta-1996, também criticou Mayra Aguiar. ‘Ela lutou pessimamente, com uma postura totalmente defensiva’, reclamou a treinadora, que poupou apenas Érika Miranda. ‘No caso dela, a cubana realmente foi superior, mas nos outros casos faltou coração e entrega. Não foi mérito das adversárias, mas sim demérito das atletas [brasileiras]’, disse.

Rosicleia foi dura, mas, por outro lado, lembrou que as derrotas chegaram em um momento em que ainda é possível fazer reparos, já que a grande meta é a Olimpíada de Londres-2012. Desta forma, ela manifestou confiança no potencial de suas atletas, apesar do fracasso no torneio mexicano.

‘Temos que reavaliar. Um evento como esse é um aperitivo da Olimpíada. Acho que as derrotas vieram na hora certa. A Sarah, a Mayra, a Érika e a Rafaela são atletas que a gente realmente acredita. Vamos tirar muito proveito de tudo isso, o que é o mais importante’, afirmou a treinadora.

Ney Wilson, coordenador técnico da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), também se mostrou preocupado. ‘Os resultados não correspondem à equipe que temos no feminino. Sem dúvida, acende uma luz amarela para vermos o que precisa trabalhar melhor na cabeça dessas meninas, mas estamos mais preocupados com as Olimpíadas’, disse.

Se as mulheres fracassaram, os homens proporcionaram o melhor desempenho do judô brasileiro na história dos Jogos Pan-americanos. Com os títulos de Leandro Guilheiro, Luciano Corrêa, Felipe Kitadai, Leandro Cunha, Tiago Camilo e Bruno Mendonça, a equipe superou os cinco ouros de Indianápolis-1987 e Santo Domingo-2003.