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Talisca: sensação na Europa e esperança para a seleção

Meia do Benfica já fez mais gols que Messi na temporada e se tornou ídolo em Portugal. Jovem faz parte da seleção olímpica – e pode ser opção para Dunga

De acordo com a imprensa europeia, o Arsenal planeja pagar 21 milhões de euros para tirar ‘Yaya Talisca’ do Benfica

O meia brasileiro Anderson Talisca se apresentou à elite do futebol mundial ao marcar seu primeiro gol na Liga dos Campeões, na terça-feira. A oito minutos do fim do jogo, ele apareceu na segunda trave e completou de pé esquerdo para garantir a vitória do Benfica sobre o Monaco, 1 a 0, mantendo a equipe portuguesa com boas chances de classificação no torneio. O gol que fez explodir o Estádio da Luz foi apenas um dos grandes feitos do atleta baiano de 20 anos que vem conquistando Portugal e já se tornou uma das sensações da temporada europeia. Em apenas quatro meses em Lisboa, Talisca já marcou oito gols na liga portuguesa, da qual é o artilheiro. Apesar de não ser centroavante, o jovem nascido em Feira de Santana e revelado pelo Bahia tem números melhores do que craques consagrados, como Wayne Rooney, Carlos Tevez e até mesmo Lionel Messi. O jogador já é uma das referências das seleções de base do Brasil e, se mantiver o mesmo ritmo, deve ser lembrado em breve para a seleção de Dunga – que tem justamente em sua posição um dos setores mais carentes.

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Alto, canhoto e bom finalizador, Talisca é um jogador raro, sobretudo entre os brasileiros. Geralmente, atletas com as suas características (como Jô ou Adriano) são escalados no ataque, mas ele parece ter se encontrado como meia ou até segundo volante. Sua facilidade para penetrar na defesa adversária e finalizar, quase sempre com sua potente perna esquerda, encantaram até os grandes técnicos do futebol europeu. “O Talisca só não está na Inglaterra porque não tem o visto de trabalho. Há muitas equipes grandes e importantes que o queriam”, afirmou o português José Mourinho, do Chelsea, em entrevista recente a um canal português. Para sorte de seu torcedor, o Benfica foi mais rápido que os concorrentes europeus e brasileiros fisgou a revelação bem no momento em que ele começava a se destacar no Brasil.

Em 2013, Talisca marcou seu primeiro gol no Brasileirão diante do São Paulo, no Morumbi Em 2013, Talisca marcou seu primeiro gol no Brasileirão diante do São Paulo, no Morumbi

Em 2013, Talisca marcou seu primeiro gol no Brasileirão diante do São Paulo, no Morumbi (/)

​Talisca estreou pelo Bahia com 18 anos, em 2013, e logo se tornou um dos ídolos da torcida tricolor. Em julho daquele ano, ele superou Rogério Ceni – goleiro que tem mais que o dobro de sua idade -, e marcou seu primeiro gol no Brasileirão, contra o São Paulo, no Morumbi. Neste ano, Talisca foi campeão e eleito o melhor jogador do Campeonato Baiano e já atraia o interesse de grandes clubes do país quando o Benfica desembolsou cerca de 12 milhões de reais por sua contratação. “Yaya Talisca”, como era chamado pela torcida baiana, por sua semelhança física e técnica com o craque marfinense Yaya Touré, do Manchester City, rapidamente assumiu uma vaga de titular da equipe de Jorge Jesus e já é um dos atletas mais cobiçados da próxima janela de transferências do futebol europeu – de acordo com a imprensa europeia, o Arsenal planeja pagar 21 milhões de euros para tirá-lo do Benfica.

A seleção brasileira – que, segundo o técnico Dunga, está cada vez mais atenta aos jovens que se destacam na Europa -, também pode ter em Talisca uma grande esperança para o futuro. Até o momento, o jogador baiano ainda não foi chamado para defender a equipe principal, mas já é titular absoluto na equipe sub-21 que o técnico Alexandre Gallo prepara para defender o Brasil na Olimpíada do Rio-2016. A seu favor, pesa a falta de grandes referências na posição. Entre os jogadores com suas características que defenderam a seleção nas últimas competições, vários não vivem grande momento, como Paulinho, Ramires e Elias. Num setor considerado essencial para a renovação do time até a Copa da Rússia, especialmente depois do fiasco no último Mundial, o jovem revelado na Bahia surge como boa aposta para a geração 2018.