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Suspeita de sonegação fiscal ofusca Bola de Ouro de Cristiano

Atacante do Real Madrid admitiu que problemas na Justiça o abalaram, mas jurou inocência e disse estar se sentindo um "preso inocente"

Por da redação - Atualizado em 13 dez 2016, 11h49 - Publicado em 13 dez 2016, 11h45

Cristiano Ronaldo recebeu a quarta Bola de Ouro de sua carreira nesta segunda-feira, mas não está plenamente feliz. As recentes acusações de sonegação fiscal abalaram o atacante do Real Madrid, que jurou inocência e se disse injustiçado. “É claro que isso estragou um pouco. Eu estaria mentindo se dissesse que não. Não sou hipócrita”, afirmou Cristiano à revista de futebol France Football, que voltou a oferecer o prêmio de maneira independente da Fifa.

No início de dezembro, o diário El Mundo, que faz parte do consórcio de mídia Colaborações Investigativas Europeias e teve acesso a documentos do chamado ‘Football Leaks’, publicou que Cristiano Ronaldo e vários outros clientes da empresa de agenciamento de jogadores Gestifute usaram paraísos fiscais para sonegar dezenas de milhões de euros de rendimento.

Segundo a publicação, Cristiano sonegou cerca de 150 milhões de euros (536 milhões de reais pela cotação atual), em publicidade, utilizando três empresas nas Ilhas Virgens, um paraíso fiscal no Caribe. Com isso, o atacante do Real Madrid se juntou a vários rivais do Barcelona, como Neymar e Lionel Messi, que enfrentam problemas com a Justiça.

“Me machuca porque sempre tratamos de fazer bem as coisas. Há pessoas inocentes na prisão e eu me sinto assim. A verdade, cedo ou tarde, aparecerá”, afirmou Cristiano. “Não fiquei contente. O processo todo em si mesmo é difícil, e não somente para mim, mas também para as pessoas ao meu lado: minha família, meu filho, todos aqueles que trabalham comigo”.

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A Gestifute, que tem como dono o português Jorge Mendes, agente de Cristiano, afirmou que o atacante cumpriu todas suas obrigações fiscais na Espanha. “O que saiu me perturba, porque não é verdade. A mentira é perturbadora. Fiz as coisas corretamente”, insistiu o capitão da seleção portuguesa.

Nesta terça, o diário El Mundo informou que a Agência Tributária espanhola solicitou o envio de informações retiradas do ‘Football Leaks’ referentes a 37 pessoas ligadas ao futebol, entre jogadores, treinadores e agentes, que são suspeitas de terem cometidos irregularidades fiscais. São eles:

Jogadores: Cristiano Ronaldo, Ricardo Carvalho, Fábio Coentrao, Radael Falcao, Garcia James Rodríguez, Luka Modric, Mesut Ozil, Karim Benzema, Pepe, Martin Odegaard, Xavi Hernández, Thomas Vermaelen, Gonzalo Higuaín, Ángel Di María, Neymar, Rafael Van der Vaart, Gareth Bale, Jackson Martínez, Jan Oblak, José Cañas, Alejandro Pozuelo e Roland Lamah.

Técnicos: José Mourinho e Michael Laudrup.

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Agentes: Jorge Mendes e seus sócios Andy Quinn e Luis Correia; David Manasseh e Jonathan Barnett (agentes de Bale); Volker Struth (Kroos), Eugenio López (Funes Mori), Reza Fazeli y Erkut Sogut (Ozil), Bayram Tutumlu (Laudrup) e Miha Mlakar (Oblak).

Empresas: Gestifute e Doyen Sports.

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