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Suíça extradita Jeffrey Webb, vice-presidente da Fifa, aos EUA

Dirigente de 50 anos é acusado de ter recebido propina quando era presidente da Concacaf. Ele foi o único dos sete cartolas presos a aceitar a extradição

A Justiça suíça extraditou Jeffrey Webb, um dos sete cartolas ligados à Fifa acusados de corrupção e detidos no final de maio, para os Estados Unidos. Natural das Ilhas Cayman, Webb é um dos vice-presidentes da Fifa e ex-presidente da Concacaf e é acusado de corrupção e fraude no escândalos envolvendo milhões em propinas e subornos no futebol. Segundo as autoridades suíças, a transferência de Webb para Nova York aconteceu na quarta-feira.

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“(O dirigente) foi entregue a três homens da polícia americana em Zurique, que o acompanharam em um voo para Nova York”, informou a Suíça em breve comunicado, sem citar o nome do dirigente, nesta quinta. Webb foi o único dos sete dirigentes presos que aceitou a extradição. O ex-presidente da CBF, José Maria Marin, segue preso nos arredores de Zurique e conta com o esforço de seus advogados para evitar a ida aos Estados Unidos.

No último dia 1º, o governo americano formalizou o pedido de extradição contra os cartolas. Se a requisição foi aprovada pela Justiça suíça, os presos terão duas instâncias superiores para recorrer na Suíça. O procedimento completo, porém, poderia durar até seis meses.

Jeffrey Webb Jeffrey Webb

Jeffrey Webb (/)

Perfil – Jeffrey Webb, de 50 anos, era um dos favoritos para ser o sucessor de Joseph Blatter na presidência da Fifa. Sua trajetória no futebol teve início aos 27 anos, quando assumiu a presidência do Strikers Football Club, time de sua cidade natal nas Ilhas Cayman. Com menos de 30 anos, já era o principal dirigente da Associação de Futebol do país.

Apesar da pouca relevância das Ilhas Cayman no futebol mundial, Webb ganhou espaço na Fifa. Seu primeiro cargo na entidade foi a vice-presidência do Comitê de Finanças, um posto apropriado para um banqueiro do maior paraíso fiscal do planeta, até chegar à vice-presidência, em 2012.

Ele foi eleito presidente da Concacaf com a promessa de acabar com uma era de corrupção na entidade, mas acabou apenas perpetuando o sistema. Ele é acusado de receber 3 milhões de dólares da empresa brasileira Traffic, do empresário J. Hawilla, para dar os direitos exclusivos para que explorasse os direitos de TV dos jogos das Eliminatórias do Caribe para as Copas do Mundo de 2018 e 2022.

O dinheiro era parte de um pacote de 23 milhões de dólares em subornos que Hawilla pagaria para a União de Futebol do Caribe. Outros 2 milhões de dólares seriam dados a Webb para os contratos da Concacaf para a realização da Copa Ouro a partir de 2013 e para a Liga dos Campeões da região. “Praticamente imediatamente depois de assumir suas funções, Webb retomou o envolvimento com os esquemas criminosos”, indicou o indiciamento do FBI.

(Com Estadão Conteúdo)